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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Quando o cérebro avaria

Tenho dois dias para terminar a dissertação de mestrado. No entanto preciso de a enviar até amanhã de manhã à minha orientadora para revisão (a minha professora é tão paciente!!).

Hoje são os meus anos. E não vai haver festejos. Mas não significa que não esteja a celebrar (se é que se pode chamar "celebrar" ao que se está a passar por aqui). Estou a ouvir Lady Gaga em volume bem alto (vou ficar sem ouvidos) enquanto escrevo. Porquê Lady Gaga? Porque preciso de música mexida e, no meio da Pop actual, ela é a única que me atraí. E porque vi o Carpool Karaoke que ela fez com James Corden e fiquei com as músicas dela na cabeça (se alguém vos disser que me ouviram a cantar "Bad Romance" enquanto cozinhava, irei negar com todas as minhas forças. Ou então começo a cantar).

E, apesar de estar com os níveis de stress relativamente altos, estou a dançar enquanto escrevo a dissertação. Acho que atingi um nível de palermice cerebral que já não vale a pena tentar entender o porquê das coisas.É por isso que penso: "Pronto, o meu cérebro fritou. Tenho meio século de vida e o cérebro já se foi à vida.". Alguém sabe onde posso encontrar um novo?

 

Decisões

Às vezes é complicado tomar decisões. Este ano foi o ano de decisões complicadas a nível universitário. Último ano a estudar, onde tinha que frequentar um estágio. Estágio esse que achava que iria ser muito bom profissionalmente. Enganei-me.

Aprendi com ele. Mas não foi nada do que estava incluído na lista de aprendizagem que os professores nos ditam. Aprendi a dizer “não”. É engraçado ver o que cresci desde que coloquei os pés no primeiro estágio. Sim, primeiro. A ideia dos estágios curriculares é estar numa empresa, a conhecer os seus procedimentos e elaborar um projecto que será apresentado no final do ano. No meu caso, o estágio teria a duração de 7 a 8 meses. Foi das primeiras a candidatar-me a um estágio e fui a primeira a candidatar-me para a empresa em que fui aceite (e, curiosamente, a minha única opção). No início só via vantagens: era a área que eu queria, era perto de casa, o pessoal era todo jovem e divertido.

Logo no primeiro dia detectei problemas na empresa. O mais importante: falta de comunicação. Pode parecer um problema pequeno, mas não é. Não sabiam qual era o projecto que iria desenvolver. Uns diziam que era uma coisa, outros diziam que era outra. No final disseram que iria trabalhar com uma colega que também tinha entrado há pouco tempo. Peguei no trabalho dela e tentei definir um projecto. Passei as primeiras duas semanas a sentir-me perdida e com pouco apoio. Acabaram por me dar outro tipo de trabalho para me habituar à empresa. Ao final de um mês e meio, sentia-me miserável e com vontade de desistir (não só do estágio, mas também do mestrado, por achar que tinha escolhido o curso errado). Após ter assistido a um episódio lamentável, decidi falar com a minha orientadora. Quando acabei de descrever o que se passava, ela disse logo para procurar outro estágio, pois não podia ficar lá. Ao final de três meses de estágio, estava a sair pela última vez daquela empresa.

Custou. Senti que estava a ser uma desilusão para os meus pais por estar a abandonar um bom estágio. Senti que estava a virar as costas à mais pequena dificuldade. Senti que estava a ser ingénua. Mas não concordava com o modo operativo daquela empresa. Não dormia em condições. Andava demasiado triste e desanimada com a minha vida. Não era justo continuar assim.

A mudança de estágio trouxe uma mudança de ar e de rotinas. Deixei de ter pouco tempo de viagem. Passei a ter que levar almoço. Passei a chegar tarde a casa. Mas passei a estar animada e feliz. Ainda há dias em que me apetece ficar enfiada na cama e não sair de lá. Mas consigo arranjar forças para me levantar. Passei a conseguir sorrir espontaneamente todos os dias no trabalho. Passei a conseguir conviver com as pessoas e a sentir-me integrada. E, apesar de ter de apresentar a dissertação na época especial (em Outubro), sinto-me feliz onde estou.

Às vezes custa dizer que não. Mas só me trouxe coisas boas.

Procrastinação

Procrastinação. Antes da universidade, desconhecia o termo. Com a entrada na universidade, comecei a andar de mãos dadas com ela.

A verdade é que sempre me apliquei nos estudos. Estava sempre a competir comigo mesma, a ver se conseguia tirar melhores notas que anteriormente. E isso continuou a acontecer na universidade. Mas como é possível aplicar-se e procrastinar? Ora muito bem, eu tinha o hábito de, quando chegava a casa, fazer tudo menos estudar até ser horas de jantar. Após o jantar, lá ia estudar um pouco (habitualmente eram resumos das aulas do dia). E isto implicava ficar acordada até tarde, ou adiar as coisas para o dia seguinte ou acumular trabalho para o fim de semana. E as tardes livres eram passadas a fazer nada até que aparecesse o bichinho do pânico. E fui assim fazendo as cadeiras. Reprovei a algumas cadeiras que me prejudicaram o percurso académico. A culpa foi da procrastinação? Pode ter sido. Mas a verdade é que as duas cadeiras que mais me prejudicaram foram cadeiras que mais pânico me causaram e, consequentemente, aquelas que comecei a estudar desde o início das aulas.

Este ano é o meu último ano de mestrado. Estou a estagiar e tenho que desenvolver uma dissertação em torno do projecto que está a ser elaborado no estágio. Não tenho aulas, mas trabalho o dia inteiro. Ou seja, chegando a casa, é normal não fazer nada. Não por preguiça, mas por cansaço. Tentei, por diversas vezes, trabalhar na dissertação durante a semana, depois do jantar. Mas a realidade é que não dá. As letras pareciam caracteres chineses e o meu cérebro parece estar a desligar-se. Acabei por deixar a dissertação para os fins-de-semana.

Actualmente, tenho a dissertação a meio e tinha planeado já a ter quase terminada (faltando apenas as conclusões). Não tenho e sei porquê. Ao fim-de-semana procrastino. Tudo é mais interessante e importante que escrever essa coisa maldita. É costume dizer-se que o estudante tem o quarto arrumado em época de exames. O meu quarto tem estado imaculado.

Mas o pânico começou a atacar este fim de semana. Maioritariamente porque daqui a duas semanas tenho um exame de inglês e daqui a uma semana tenho um casamento. E comecei a panicar a pensar que não tenho tempo para tudo. No domingo, comecei a trabalhar. Agora sim, dissertação está em desenvolvimento. A ver se esta dose de adrenalina se mantém, pois bem preciso dela.

 

P.S.: Curiosamente, ontem à tarde vi esta TedTalk  de Tim Urban sobre procrastinação. A realidade é exactamente esta.

 

 

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