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Tu tens a mania

Tu tens a mania

A roupa não tem género

Secundário. Teste de inglês. Aparece uma questão onde se pede que se diga se os acessórios são acessórios femininos, masculinos ou se pertenciam a ambos. Os acessórios em causa são:

 

Mala de mão (handbag)

Gravata (tie)

Boné (cap)

Collants (tights)

Colar (necklace)

Cachecol (scarf)

Cinto (belt)

 

Eduardo respondeu que todos os objectos pertencem a ambos os sexos. E a professora discordou no que diz respeito a gravatas, bonés e meias-calças. Eduardo contestou e foi ameaçado de falta disciplinar (ver notícia completa aqui)

 

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Esta senhora claramente não saí à rua. Pois, se saísse, saberia que as mulheres usam bonés, gravatas não são exclusivas de homens e que não há mal nenhum em homens usarem collants (até porque são bem úteis para usar debaixo das calças e, assim, combater o frio).

 

Revolta-me ouvir este tipo de notícias. Principalmente, tento em conta que se trata de algo que se passou num sítio onde somos moldados e passam este tipo de mensagem: há coisas para meninos e há coisas para meninas

 

No entanto, também me alegra. É bom saber que existe miúdos de 16 anos a lutarem contra os papéis de género que existem nesta sociedade

 

Obrigada Eduardo. De repente, o futuro parece-me mais luminoso

Não é não, porra!

Estamos quase no final do ano de 2018. Passou um ano desde o início do movimento #metoo. Nas redes sociais, aumentou a luta contra o assédio sexual e a violação. Estamos quase no final de 2018 e, em Portugal, parece-me que ainda estamos em 2008. As pessoas continuam a não entender que um NÃO significa NÃO. Que a forma como uma pessoa se veste não justifica o assédio, nem a violação. Que o facto de a vítima estar embriagada ou inconsciente não significa que estava a pedi-las. Que, mesmo que tenha inicialmente dito que sim, o agressor não tem o direito de continuar o acto após ouvir não

 

Meus caros amigos e amigas, se ouvem um não e continuam, estão a violar

 

E admira-me como é que as pessoas não conseguem compreender isso

 

Há um ano começou o #metoo, onde vimos dezenas de mulheres a enfrentarem o seu medo e apontarem o dedo aos seus agressores

 

Agora, vemos que, apesar de tudo, pouco mudou. Dr Ford enfrentou o seu agressor perante o país (e o mundo) e, mesmo assim, viu-o a ser aceite no Supremo Tribunal. Uma mulher diz ter sido violada por um jogador de futebol e tem quase um país inteiro (e mais alguns milhares de pessoas no resto do mundo) a insulta-la por se atrever dizer tal coisa (nem imaginam as barbaridades que ouvi no meu local de trabalho acerca deste assunto). Temos mais um sexista/xenófobo/homofóbico a um passo de ganhar as presidenciais do outro lado do oceano. E temos uma ginecologista/obstetra a dizer que as mulheres que usam "um decote até ao umbigo e uma racha até cá em cima" estão a assediar os homens

 

Não sei quanto a vocês, mas, para mim, estas últimas semanas têm alimentado, e bem, a minha raiva. Será que é assim tão difícil darem um pouco de paz às mulheres?

 

il_fullxfull.971261048_pxwu_1280x1280.jpgFonte: Radical Buttons

Masculinidade sensível

Há uns meses atrás, falei sobre as coisas que os homens adorariam poder fazer, mas que não faziam por serem coisas de mulheres (aqui). Desta vez, venho falar de um artigo de roupa que é considerado de mulher e que uma marca de roupa decidiu criar modelos para o sexo masculino.

O artigo "ofensivo" em causa é o romper (basicamente um macacão, cuja parte baixa são uns calções). A marca em causa chama-se ACED Design e denominaram o artigo como RompHim. Para ser sincera, não acho que o artigo em causa não fica bem à maioria das mulheres. Normalmente, os elásticos ficam colocados em zonas estranhas, dando um visual pouco apelativo. No entanto, cada um é livre de fazer o que quiser e a minha opinião jamais deverá levar alguém a sentir-se mal por vestir algo que gosta (YOU DO YOU, BABY!). Ao ver as fotos dos homens a usar rompers, devo dizer que gosto mais de ver o "vil" artigo neles. É óbvio que não fica bem a todos, mas nunca  houve algo que ficasse bem a todos.

Porém, os queridos internautas discordam comigo. Os homens "másculos" que por aí andam não demoraram muito a dizer que é roupa para mulheres e que só os gays é que usam coisas dessas (novamente, é mau ser-se parecido a mulheres e que só os gays é que assim são... Muito gostaria de conseguir compreender este ódio ao que é de mulher ou ao que é de gay...). E também existe mulheres com uma insegurança tal que, muito prontamente, disseram que jamais andariam com alguém que usasse tal coisa, porque é ridículo os homens usarem coisas de mulheres.

E eu só consigo pensar numa coisa: Sean Connery usou um destes rompers no filme Goldfinger. Sim, o James Bond usou romper. E o actor que lhe deu vida nesse filme é considerado um dos melhores 007. Se o James Bond usou um, porque raio não pode um homem comum usar um destes artiguinhos??? Que raio se anda a passar com a "masculinidade"?

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 P.S.: Por falar em James Bond, Goodbye, Mr. Moore..

Coisas que os homens não podem fazer porque são coisas de mulher (ou não!)

Há já algum tempo que tinha encontrado esta notícia do The Independent e guardei-a nos favoritos porque simplesmente adorei o tema. O título traduzido é " 'Eu tricotaria tanto, meu': todas as coisas femininas que os homens faria se não fossem julgados". Eu podia levar a coisa a brincar, mas, na minha cabeça, só conseguia pensar que se continua a achar que as coisas que as mulheres fazem não são dignas de serem feitas pelos homens ("you throw like a girl").

Mas, após uma leitura rápida, só conseguia pensar que jamais conseguiria julgar um homem caso o visse a tricotar. Já vi vários homens de saias e posso dizer que eles ficavam bem melhores do que quando sou eu a usar saias. Bebidas frutadas (nomeadamente os cocktails) são óptimos e não vejo porque raio os homens deveriam estar privados desse prazer (estou até a lembrar-me do desespero de Marshall, na série How I Met Your Mother, porque queria beber uma dessas bebidas, mas não era socialmente aceite que ele a bebesse).

 

 

Abrindo a página do Reddit de onde foram retiradas algumas das opiniões colocadas no artigo, só me apetecia abraçar estes pobres homens e dizer-lhes que está tudo bem. Que podem vestir o que quiserem, beber os que lhes apetecer, fazerem máscaras faciais ou usar bombas de banhos e que também podem ser a small spoon.

 

marshall lily spooning.jpg

No caso do tricot, na capital do Chile, são organizados encontros mensais (julgo), entre homens, que vão para a rua tricotar, com o intuito de criar uma "sociedade mais tolerante e menos macho". E, uma vez que já existem movimentos por Portugal fora, onde mulheres se juntam para tricotar e decorar as cidades com as suas criações, porque não começarem a convidar os homens? Só é preciso um para que os outros decidam juntar-se :D

 

 

Handle with care

Handle with Care é um projecto da artista Röra Blue. O seu objectivo é mostrar os comentários sexistas que são frequentemente usados em relação às mulheres. São comentários feitos não só pelo sexo masculino, mas também pelo sexo feminino. São comentários tão rotineiros, mas não deixam de ser depreciativos e incómodos. São comentários que dizemos com a maior das naturalidades, mas que nunca pensamos como serão recebidos. São comentários de deveriam deixar de ser usados, mas, infelizmente, ainda estão muito bem infiltrados no nosso quotidiano.

 

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