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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Where is my mind?

Há quase um ano que não venho aqui. Há quase um ano que comecei a fechar-me dentro de mim. Comecei a aparentar que estou bem quando o meu interior começava a revoltar-se

 

Felizmente, estou a ser acompanhada. E esse acompanhamento é que me tem ajudado a enfrentar os dias e a aumentar a necessidade de encontrar algo que dê significado. Não creio que isto seja esse algo que tanto procuro e anseio. Mas começo a acreditar que seja um bom sítio por onde (re)começar. Nem que seja apenas para ter um sítio diferente onde, de certa forma, desabafe e comece a expressar o que vai dentro de mim e que tanto tenho guardado

 

Acho que nos ensinam demasiado a manter as coisas dentro de nós. A não partilhar o que sentimos, a não ser que sejam coisas boas. A felicidade tem de ser partilhada, mas a tristeza e as dificuldades ficam só para nós. Ninguém quer ouvir as infelicidades dos outros. Para problemas, bastam os nossos. E, no entanto, não se importam de ouvir aquelas pessoas que gostam de contar os problemas todos (quando mesmo a grande maioria são coisas de nada) e de encarnar o papel de coitadinho. Os outros que aguentem. Afinal, não têm motivos para reclamarem

 

Estamos demasiado habituados a envergar o sorriso fácil e dizer que está tudo bem, mesmo quando nos sentimos a morrer por dentro. Vamos perdendo a vontade de apreciar o que de bom a vida tem. Começamos a sentir inferiores aos outros e a criar a ilusão de que se tivéssemos o objecto x ou o corpo y, a nossa vida correria melhor. Começamos a viver de ilusões. Ou de nada

 

Estou cansada de fingir que está tudo bem. Estou farta de fazer de conta que consigo aguentar com os problemas e que a vida é fácil. Fingir um sorriso tornou-se uma tortura. Sinto-me exausta. Tenho dores constantes pelo corpo. Dói-me a cabeça. Não tenho paciência e qualquer coisa faz-me perder as estribeiras. Não consigo focar-me em algo. Não consigo aproveitar a sensação boa de ouvir a chuva a cair ou dos raios de sol a aquecer a pele. Não consigo respirar. Estou exausta. Sê bem-vindo, burnout

Balanço de dois meses de problemas

Anteriormente, já tinha dito por aqui que andava com alguns problemas de saúde e com algumas reacções à medicação receitada para esses problemas (aqui e aqui). Recentemente, consegui falar com o médico e consegui convence-lo a suspender-me a medicação. O mais engraçado é que ainda tenho que a tomar, pois não a posso deixar de tomar de um dia para o outro. Tem sido uma experiência "fantástica", quer física, quer mentalmente. Nos dias em que tomo a medicação, honestamente, só me apetece permanecer na cama e chorar o dia inteiro, o que me faz questionar a origem da minha capacidade de aguentar um dia de trabalho neste estado

 

Infelizmente, no que toca ao trabalho, as coisas não têm melhorado. Achava que a medicação andava a interferir com o meu desempenho, mas começo a ponderar que existe algo mais a interferir. Tenho tido imensas dificuldades em gerir as emoções no local de trabalho, bem como gerir o enorme fluxo de trabalho que as pessoas depositam em cima de mim. Já perdi a esperança de negociar com a entidade patronal, pois já tentei várias vezes e as coisas só pioraram. Se até há pouco tempo dizia que só sairia da empresa quando encontrasse outro emprego, agora pondero entregar a carta de despedimento sem qualquer alternativa de trabalho. Agora é esperar pelo o que apareça primeiro: o desespero ou a coragem

 

A procura por novo emprego também não está fácil. Não sei se me tornei incrivelmente pessimista, mas os pedidos de trabalho que me têm aparecido à frente parecem todos iguais, onde exigem muito da pessoa, mas querem pagar pouco. Ainda não encontrei algo que me fizesse dizer "É mesmo isto!" e não acredito que o vá encontrar tão cedo. Ando um pouco negativa e, por isso, tenho atraído negatividade. Daí achar que, se estivesse desempregada, a minha mentalidade seria outra. A cada dia que passa, mais me convenço que esse é o passo certo: entregar a carta, dar os 30 dias à casa, tirar uma ou duas semanas para descansar, alinhar os pensamentos e reunir energias e atacar o mercado de trabalho com a cabeça limpa e determinada. Mas o meu lado ansioso ainda tem conseguido falar mais alto

 

Porém, não tenho desanimado. Tenho conseguido enviar currículos todas as semanas, tenho feito um esforço diário de dar o meu melhor no trabalho, mesmo que isso signifique fazer o mínimo possível (há dias que tem de ser). Tenho-me obrigado a comer o melhor que consigo (voltei às papas de aveia ao pequeno-almoço) e a enfiar-me na cama cedo. Tenho escrito de manhã e de noite e a tentar manter o meu espaço arrumado. A única coisa que ainda não consegui retomar foi a leitura. Continua lenta, mas não me vou forçar a ler. Sei que se o fizesse, acabaria por ler ainda menos. Curiosamente, retomei um hábito antigo: sudoku. Tem sido o meu passatempo na hora do almoço

 

As coisas não vão bem, mas também não vão mal. Vão andando ao ritmo que têm de andar. Acredito que quando isto passar, terei aprendido alguma lição valiosa. Até lá, é viver um dia de cada vez e manter o pensamento positivo, enquanto aprendo mais sobre mim com os meus pensamentos negativos

 

130218_optimism-c.jpg

 

Quero a minha cama...

Uma das coisas que não gosto nada da medicação que ando a tomar é o cansaço que me anda a induzir. Acredito que seja para me forçar a dormir as horas suficientes para que o meu cérebro e corpo possam descansar profundamente. No entanto, têm dificultado a minha vida. Passo o dia cansada e sem paciência. Custa-me fazer as tarefas mais básicas de sobrevivência, como cozinhar e ler. Estou há quase três semanas com o mesmo livro e só agora é que consegui ultrapassar a página nº100. Quando chego a casa às 18 horas, só quero enfiar-me na cama e dormir até o despertador tocar ou até ser fim-de-semana. Ou, então, acordar no dia seguinte e ir pedir baixa médica só para poder dormir o dia todo, a semana toda

 

Tenho recomendação médica para continuar a tomar esta medicação até à consulta médica, mas essa consulta só será daqui a pouco menos do que um mês. E, apesar de querer ser positiva e querer acreditar que até lá os efeitos secundários irão diminuir, tenho vontade de atirar a medicação para o lixo e voltar a ser eu

 

Posso voltar para a cama até que seja dia da consulta?

 

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Saúde Mental e a Literatura

Na terça-feira, através da Antena 3 e do post de Diários de Leitura, conheci mais um curso online a seguir: Literature and Mental Health, dada pela Universidade de Warwick. Este curso é gratuito, no site da Future Learn. A ideia deste curso é estudar a relação entre a saúde mental e a leitura e de como podemos influenciar o nosso estado emocional através da literatura. Tem a duração de 6 semanas (começou no início de Setembro, mas pode-se juntar ao curso quando se quiser) e os temas debatidos serão em torno de: stress, desgosto, perda, trauma, depressão e demência.

Este curso tem a colaboração de diversas pessoas, entre médicos, escritores e actores (Stephen Fry e Sir Ian McKellen). A primeira semana é sobre stress e, pelo meio, apareceu-me este poema, lido por Sir Ian.

 

Composed Upon Westminster Bridge, September 3, 1802

Earth has not anything to show more fair:
Dull would he be of soul who could pass by
A sight so touching in its majesty:
This City now doth, like a garment, wear
The beauty of the morning; silent, bare,
Ships, towers, domes, theatres, and temples lie
Open unto the fields, and to the sky;
All bright and glittering in the smokeless air.
Never did sun more beautifully steep
In his first splendour, valley, rock, or hill;
Ne’er saw I, never felt, a calm so deep!
The river glideth at his own sweet will:
Dear God! the very houses seem asleep;
And all that mighty heart is lying still.

W. Wordsworth (1770–1850)

 

 

Cheira-me que, não só acabarei este curso com um novo olhar sobre o impacto da leitura, bem como uma mão cheia de textos e autores para ler

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