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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Novembro

E já estamos em Novembro. A cada dia que passa, o tempo parece-me passar mais rapidamente. Ia jurar que foi ontem que comecei a universidade e já estou a dar os últimos passos desta vida de estudante. Há um ano atrás, sentia-me encurralada num estágio esgotante e nada proveitoso e agora sinto-me livre para fazer o que eu quero do meu futuro. 

 

Este mês começa quente, e sei que muitas pessoas estão felizes com isso. Eu, pelo contrário, sinto-me farta. Farta do nariz sempre seco e incomodativo por causa do tempo seco, farta do calor anormal para a época do ano (sim, eu sei, é o verão de S. Martinho, mas convenhamos! Normalmente só acontece na semana em torno do dia de S.Martinho, não no mês anterior a este). Houve chuva na semana passada mas, para mim, parece que foi há uns valentes meses. Sinto, pela primeira vez, a mudança da hora a afectar-me. Sinto-me exausta e isto de já ser noite quase desde as 17 horas deixou-me de muito mau humor (o que nunca me aconteceu). Sei que tenho imensas coisas para fazer amontoadas na minha secretária e, no entanto, encontro-me a olhar para o céu e a pensar na morte da bezerra. É das coisas que mais gosto no Outono: a capacidade extra de simplesmente parar e observar a vida que me rodeia. As pessoas a virem dos seus passeios, as pegas a voarem sem (julgo eu) destino certo, as minhas gatas a aproveitarem o calor absorvido pelas telhas, as folhas das árvores a mexerem-se em sintonia com o pouco vento que se sente.Esteve um dia abafado que nem parece digno do mês de Novembro. No entanto aqui estamos, no penúltimo mês de 2016 que eu não sei explicar porque é que sinto que o deixei fugir por entre as mãos.

 

Novembro, sê gentil. Sempre gostei muito de ti.

 

 

Quando o cérebro avaria

Tenho dois dias para terminar a dissertação de mestrado. No entanto preciso de a enviar até amanhã de manhã à minha orientadora para revisão (a minha professora é tão paciente!!).

Hoje são os meus anos. E não vai haver festejos. Mas não significa que não esteja a celebrar (se é que se pode chamar "celebrar" ao que se está a passar por aqui). Estou a ouvir Lady Gaga em volume bem alto (vou ficar sem ouvidos) enquanto escrevo. Porquê Lady Gaga? Porque preciso de música mexida e, no meio da Pop actual, ela é a única que me atraí. E porque vi o Carpool Karaoke que ela fez com James Corden e fiquei com as músicas dela na cabeça (se alguém vos disser que me ouviram a cantar "Bad Romance" enquanto cozinhava, irei negar com todas as minhas forças. Ou então começo a cantar).

E, apesar de estar com os níveis de stress relativamente altos, estou a dançar enquanto escrevo a dissertação. Acho que atingi um nível de palermice cerebral que já não vale a pena tentar entender o porquê das coisas.É por isso que penso: "Pronto, o meu cérebro fritou. Tenho meio século de vida e o cérebro já se foi à vida.". Alguém sabe onde posso encontrar um novo?

 

Domingos de Outono

O Outono é, sem dúvida, a minha estação preferida (seria a Primavera se não fosse o facto de a minha rinite estar a piorar a cada ano que passa à custa dessa senhora estação). Gosto de ver o verde das árvores a tornar-se vermelho e castanho. Gosto de acordar e adormecer com a chuva a cair. Gosto de ter mantas na cama, pijama grosso vestido e meias anti-derrapantes nos pés. Gosto de voltar a usar as botas que se encontravam religiosamente guardadas no armário e do guarda-chuva escondido no meio dos casacos de Inverno. Gosto das camisolas de lã de gola alta e dos cachecóis e  écharpes largos.

 

É tempo daquela sensação de calor reconfortante e relaxante do chá quente que não conseguia ter com o calor do Verão.  O chocolate quente volta a saber bem. As abóboras estão à porta, esperando que lhes pegue e que as utilize nalgum cozinhado ou doce (e não, não há cá pumpkin spice latte. Aqui a menina não tolera o café). Chegou, finalmente, a altura de ligar o forno ao domingo e experimentar uma receita nova. E hoje foi o  primeiro dia desde o mês de Março que retomei este hábito. A ideia era fazer uma tarte de maçã, mas acabei por ir para os muffins de abóbora. Já tinha saudades do sabor da abóbora e como tinha uma por aqui, decidi matar as saudades. Esta viagem a Outonos passados podia ter corrido melhor: tive direito a queimar a minha mão e a soltar uma catrefada de asneiras e, consequentemente, a minha mãe a rir-se da minha pessoa. Mas fora isso, até correu bem. Tenho a casa a cheirar a muffins e isso deixa-me bastante feliz e  torna a dor da queimadura mais fácil de suportar (não é que me doa muito, mas o sítio em questão é chato e não consigo estar com a mão parada).

 

Vou agora enfiar-me no sofá com uma manta, as minhas gatas, uma caneca de chá e a J. K. Rowling (estou a ler Uma Morte Súbita), enquanto que a chuva caí e os muffins arrefecem.

 

Domingo à tarde

A tarde de domingo é sagrada. Entre dormir a sesta, colocar a leitura em dia e definir o que preciso de fazer durante a semana, ainda costuma haver tempo disponível para dar um salto a casa dos meus padrinhos e ver um filme ou fazer uma pequena maratona da série que estou a ver.

Hoje decidi fazer o menos possível. A sesta é indespensável. Uma horinha chegou-me. Li o livro que me ofereceram ontem ("O Culto do Chá" de Wenceslau de Moraes). Escrevi o que tinha a escrever e já defini o que fazer durante a semana. Hoje não há filme nem série que me seja apelativo. 

Neste momento, encontro-me na varanda, a apreciar o primeiro céu azul desde o início dos incêndios (apesar de ainda se ver fumo de Arouca no horizonte) e a ouvir Bob Dylan. Não sei como tenho a coragem de me esquecer deste senhor no dia-a-dia. Ando com os ouvidos cheios da mesma música, sempre em redor do rock ou da música eletrónica. Mas, pensando bem, até agradeço o meu esquecimento. Se não fosse ele, neste momento não estaria numa espécie de retiro espiritual. Eu, o Dylan e o sol.

 

 

A arte de não fazer nada

Esta foi a minha primeira semana de férias. Normalmente, esta seria passada a colocar séries/filmes em dia ou a organizar as coisas que há muito adiava. E, de facto, era esse o plano. Queria terminar a terceira temporada de Penny Dreadful, planeava ir ao cinema, organizar uma roupas para doar, reorganizar os livros (PRECISO DE MAIS PRATELEIRAS!!!!). Mas a realidade trocou-me as voltas. Passei a semana a fazer nada. Quer dizer, entre dormir, ler e estar simplesmente deitada a olhar para o céu, ainda fui fazendo alguma coisinha (umas comprinhas, um passeio, etc). Mas a maior parte do tempo foi passado em modo absolutamente zen. Nunca tinha experimentado tal coisa, mas agora não quero outra coisa. Tenho mais uma semaninha para aproveitar, e cheira-me que vai ser passada como esta: em modo dolce far niente.

 

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Último sprint

Hoje comecei a minha última semana de estágio. Se, por um lado, estou feliz por ter férias à vista, por outro tenho a melancolia colada à perna. Foram 7 meses nesta empresa que muito bem me acolheram e me ajudaram a formar o meu percurso. Receberam-me de braços abertos quando me vi presa a uma outra empresa que não me permitia crescer.

É a última semana e ainda tenho muito para fazer. Tenho que terminar o projecto que me propuseram e apresentar as minhas conclusões. Tenho que terminar as pequenas tarefas que me foram apresentando como complemento do estágio. E tenho, acima de tudo, me despedir daqueles que se tornaram essenciais ao meu trabalho.

Se no início do primeiro estágio estava desejosa que este terminasse, neste tenho a sensação de que irei deixar escorrer algumas lágrimas quando tiver de dizer adeus.

Ainda é segunda, mas já temo a sexta-feira.

Sobre o jogo de ontem

Não o vi. Assim como não vi os outros jogos de Portugal. Os únicos jogos neste Europeu que vi foram os da República da Irlanda e a maioria da Islândia (que, espero eu, vai ganhar à França e, assim, vingar os Irlandeses).

Ontem fui obrigada a estar a ler e a ouvir múscia ligeiramente mais alto que é habitual, pois sem isso, só ouviria a minha mãe a reclamar com os jogadores. Quando, finalmente, me enfiei na cama, apercebi-me que iriam a prolongamento, mas, na minha maior inocência, pensei que a rádio que estava sintonizada não iria relatar o jogo (não é costume). Algo que viria a ser provado errado. Eu estava de tal maneira exausta que adormeci a ler. A posição até era confortável, coisa rara quando se adormece a ler. Mas lá acordei. Como? Com o senhor da rádio a gritar golo! Tinha sido marcado o primeiro penalty de Portugal.

Fiquei com vontade de berrar com alguém, mas o sono falou mais alto. Desliguei o rádio a praguejar, fechei o livro e fui dormir. Não sou de guardar rancores, mas a verdade é que ainda não fui capaz de sintonizar na rádio em que estava. Amuei.

 

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Felicidade alheia

Eu só vejo gente feliz pelas ruas. Motivo? Está sol e calor. Não sou uma dessas. Está demasiado calor para mim. Mas o que me irrita mais neste tempo é o excesso de pó e pólen que existe. Enquanto toda a gente vai para rua passear, eu tenho que ficar fechada dentro de quatro paredes para não piorar.

Portanto, minha querida rinite, vai para um certo sítio que eu estou farta de ti!

 

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 (Literalmente o que o meu colega me disse ontem)

Dustin by Steve Kelley Jeff Parker

 

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Calvin and Hobbes by Bill Watterson

 

 

 

 

Fome de ler

Vamos, desde já, esclarecer uma coisa: eu gosto de ler. Livros , jornais, revistas, blogues, textos aleatórios, panfletos, rótulos de shampoo, manuais de instruções, etc.. Não costumo passar um dia sem ler o que quer que seja. Mas, na realidade, há dias que não quero ler. Não tenho paciência, não consigo concentrar-me, falta-me a vontade.

Ler é um estimulante. Exercita a mente e excita a alma. Faz-nos viver histórias que jamais pensávamos ter a oportunidade de viver. Permite-nos isolar do mundo actual e focar-nos em algo novo, desconhecido. Ler é viajar. Mas, como tudo na vida, o que é em excesso cansa.

Cada um tem o seu limite. E eu costumo atingir o meu regularmente. A última vez foi neste fim-de-semana. Terminei de ler, na sexta-feira, "Uma Caneca de Tinta Irlandesa". Só hoje é que comecei a ler um novo livro - "O Amante de Lady Chatterley". Três dias sem livros (apenas algumas notícias, blogues e as contracapas dos livros que comprei). Nem as legendas dos filmes e séries que vi li. Fugi o que podia da leitura.

Hoje acordei ansiosa. Precisava de pegar num livro. Precisava de lhe sentir o peso, de lhe folhear. Já li um pouco durante a viagem para o trabalho. Mas continuo ansiosa.Quero mais e mais.

Faz bem deixar de ler, de vez em quando. Dá para recarregar o cérebro e reconectar com esta fome de ler. E as saudade que já tinha dela...

 

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Sono, muito sono

Hoje, o meu dia resume-se a isto:

 

"Temos de alterar a nossa concepção de repouso e actividade. Não devíamos dormir para recuperar a energia consumida quando estamos acordados, mas antes acordar ocasionalmente para defecar a energia indesejada que o sono engendra" - Flann O'Brien, Uma caneca de tinta Irlandesa

 

Ainda falta tanto para voltar à minha fiel caminha...

 

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