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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Self Care

Tenho reparado num certo desespero em transmitir a ideia de que self care se resume a produtos e serviços caros. De que para dormir bem se deve usar aquele colchão topo de gama com almofadas XPTO. Que é ter um cabelo hidratado e que para se conseguir tal é necessário usar mil e um produtos. Que ter uma alimentação saudável significa consumir produtos importados do outro lado do mundo. Mas nada disto é self care

 

Self care é preparar as coisas no dia anterior. É lavar a loiça assim que esta é suja de modo a não acumular. É fazer a cama antes de sair de casa porque já se sabe que quando voltar do trabalho/escola não terá vontade de a fazer. É colocar lembretes no telemóvel sobre beber água ao longo do dia. É criar truques para te convenceres a fazer exercício físico todos os dias. É planeares as tuas refeições, de modo a não consumires aquilo que te faz mal. É criar um orçamento mensal e registar os gastos de modo a saberes para onde vai o teu dinheiro. É evitar as redes sociais e as notícias e, assim, poderes descansar e ignorar o mundo lá fora. É ouvires música aos berros e dançares como se exorcizasses os teus demónios. É, finalmente, teres capacidade de lavar o cabelo e os dentes. É chorar quando te sentes ansiosx, stressadx e  com vontade de mandar tudo e todos para o caralho. (É dizer asneiras) É virar as costas ao que te é tóxico (objectos, pessoas e situações). É dizeres chega e começares a lutar por ti e por aquilo que queres. É respirares profundamente

 

Self care é cuidares de ti e garantir que tens os meios necessários a seres o melhor de ti. Tudo o resto são apenas mimos que te poderás oferecer

 

Vamos parar de transmitir a ideia que self care é um luxo. É uma necessidade que faz falta a muita gente

 

 

 

Livros Lidos: Outono

Se há coisa que estou grata deste ano é de ter conhecido a escrita de Ali Smith. Depois de Amor Livre e de A Primeira Pessoa e Outras Histórias, chegou a vez de Outono

 

Este livro gira em torno da amizade entre Elisabeth Demand e Daniel Gluck, amizade construída após Elisabeth se ter mudado, ainda criança, com a sua mãe para a casa ao lado de Daniel, o "velho maricas" que "provavelmente nem sabe falar bem inglês" (palavras da mãe)

 

Esta amizade nasceu após Elisabeth ter escrito um texto sobre o vizinho para a escola e que a sua mãe achou que deveria mostrar a Daniel

 

" Retrato escrito do nosso vizinho do lado

O vizinho da porta ao lado da nossa nova casa para a qual nos mudámos é o vizinho mais elegante que tive até agora. Ele não é velho. A minha mãe não me deixa fazer-lhe as perguntas que me disseram para fazer sobre o que é ser vizinho para o projeto dos retratos em palavras que é obrigatório fazer-mos. Ela diz que não me deixa ir incomodá-lo. Ela disse que nos vai comprar um leitor de VHS novo e a cassete da Bela e o Monstro se eu fingir que faço as perguntas em vez de as fazê-las na vida real. Para ser sincera preferia não ter a cassete nem o leitor VHS preferia perguntar-lhe-as, como é ter visinhos novos e para ele como é ser vizinho. Aqui estão as perguntas que eu lhe perguntava 1 como é ter vizinhos 2 como é ser vizinho 3 como é ter idade de velho mas não ser velho 4 porque é que a casa dele está cheia de imagens porque é que não são como as imagens que temos na nossa casa e finalmente 5 porque é que está música a tocar sempre que se passa perto da porta da rua do nosso vizinho do lado"

 

Ao longo do livro temos a possibilidade de conhecer partes da infância da Elisabeth, a sua relação com a mãe e a sua amizade com Daniel, interligadas com a Elisabeth após o Brexit e o Daniel acamado num lar hospitalar

 

"Por todo o país havia angústia e júbilo"

 

Eu adoro a escrita de Ali Smith. É uma escrita incrivelmente fluída, que interliga o passado e presente de forma perfeita, com interrupções nos sítios certos,  sem que se quebre o ritmo de leitura. Para mim, é uma escrita viciante e, neste livro em particular, me custou chegar às últimas páginas, pois eu só queria poder mais. Felizmente, não terei de esperar muito, pois já saiu em Portugal o segundo livro da saga, Inverno

 

"Amo-o"

 

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Silêncio Matinal

Não gosto de acordar cedo

 

Retificando, não gosto de acordar cedo por obrigação. Ter o tempo contado para fazer as coisas, correr o risco de ter de andar à pressa e esquecer de algo, mesmo tendo preparado tudo na noite anterior, estar sempre a olhar para o relógio com medo de estar a gastar demasiado tempo em algo e, depois, não conseguir sair às horas que pretendo. E não gosto do barulho que se cria quando estão quatro pessoas a prepararem-se para sair

Passei anos em que as minhas manhãs eram infernais. Ninguém podia falar comigo, pois o meu mau-humor era tanto que só sabia responder mal ou não respondia de todo. Fui chamada de mal-humorada, sem sem graça e de anti-social devido à falta de euforia, simpatia e/ou sorrisos logo pela manhã

 

Aos pouco, com o crescimento e a percepção do que me faz feliz, fui conseguindo adaptar o meu ritual matinal às minhas necessidades. No entanto, sempre achei que a música era a minha musa. Recentemente, devido ao facto de ter começado a acordar antes das 6, fui-me apercebendo que a minha verdadeira musa é o silêncio. Às 6 da manhã, não há ponta de barulho a não ser a natureza no exterior (ou as minhas gatas que já sabem as horas em que acordo e começam a exigir comida ainda antes do meu despetador tocar). E não está mais ninguém acordado. Ou seja, nem tenho demasiado estímulo visual/auditivo, nem tenho que fazer as minhas coisas a correr porque estão mais três pessoas a prepararem-se para sair. Tenho tempo para tudo o que me é importante e começo o dia relaxada

Estou grata por finalmente ter encontrado algo que melhore as minhas manhãs. O meu mau humor já não dura tantas horas e consigo tolerar melhor os dias stressantes que tenho. Agora é encontrar forma de garantir que as minhas manhãs no trabalho são silenciosas...

 

 

Fifth of November

 

  Remember, remember! 
    The fifth of November, 
    The Gunpowder treason and plot; 
    I know of no reason 
    Why the Gunpowder treason 
    Should ever be forgot
    Guy Fawkes and his companions 
    Did the scheme contrive, 
    To blow the King and Parliament 
    All up alive. 
    Threescore barrels, laid below, 
    To prove old England's overthrow. 
    But, by God's providence, him they catch, 
    With a dark lantern, lighting a match! 
    A stick and a stake 
    For King James's sake! 
    If you won't give me one, 
    I'll take two, 
    The better for me, 
    And the worse for you. 
    A rope, a rope, to hang the Pope, 
    A penn'orth of cheese to choke him, 
    A pint of beer to wash it down, 
    And a jolly good fire to burn him. 
    Holloa, boys! holloa, boys! make the bells ring! 
    Holloa, boys! holloa boys! God save the King! 
    Hip, hip, hooor-r-r-ray!

 

 

 

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