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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Hábitos

Uma coisa que sempre me custou (e ainda custa) bastante é quebrar os maus hábitos.

 

Sou preguiçosa, gosto de comer, perco demasiado tempo nas redes sociais, passo os dias a queixar-me do trabalho que tenho e não gosto, deito-me tarde quando tenho que acordar cedo, carrego no snooze todos os dias (e não sei como é que só carrego uma vez). A minha actividade física resume-se à correria que tenho que fazer durante as 8h de trabalho, a minha postura piora a cada dia e começo a queixar-me das costas, encharco-me em açúcar quando chego a casa  (e já consumi bem mais do que tenho comido por estes dias) e o meu quarto está mais desarrumado do que sei lá o quê, apesar de o tentar arrumar todos os dias.

 

Diariamente, deito-me à noite, repetindo interiormente mantras como "Amanhã irei ser diferente", "Amanhã vou tentar começar a quebrar o hábito x", e por aí fora. No entanto, assim que acordo, cheia de sono, a minha mão carrega no snooze antes de o meu cérebro se aperceber do que se passou.

 

Admiro as pessoas que conseguem alterar os seus hábitos e, consequentemente, mudar as suas vidas. Admiro a sua força de vontade e determinação. E admiro a sua capacidade de não desistir.

 

Mas, para esta velha caquética que ainda está na casa dos 20, não é fácil ser determinada. A minha força de vontade é fugaz ao ponto de já ter desaparecido quando noto que ela tinha aparecido. E a preguiça é a rainha do meu corpo (e mente!).

 

Tenho que admitir que já sinto cansada de me sentir assim. De sentir que estou a perder contra mim própria. Porém, é-me igualmente cansativo lutar contra mim mesma. O convencer-me a ser melhor do que tenho sido exige um esforço mental de tal tamanho que fico exausta e enfio-me no meu canto a fazer de conta que não tenho qualquer problema para resolver. A gratificação instantânea é tão apetecível que acabo por compensar a exaustão emocional por um (grande) pedaço de chocolate.

 

Tenho a noção da necessidade de dar passos pequeninos para conseguir alterar os meus hábitos e mantê-los. Mas ainda não consegui descobrir o quão pequeninos têm de ser os meus passos para que isso aconteça.

 

Gostava de ser optimista e dizer que irei consegui. Mas vou continuar a ser meia pessimista e dizer que irei continuar a tentar. Posso ser preguiçosa, pouco determinada e sem grande força de vontade, mas continuo a ser teimosa como uma mula

 

 

 

P.S.: A música apenas condiz com o post no que toca ao título, "Bad Habit", mas tem sido uma fiel aliada no combate à inércia natural do meu corpo

Música no trabalho

Um dos maiores receios que tinha antes de começar a trabalhar na empresa onde estou era a (im)possibilidade de ouvir música enquanto trabalhava. Sempre vivi rodeada pela música e sei que trabalho muitíssimo melhor com música de fundo. Felizmente, esta ansiedade foi rapidamente ultrapassada no primeiro dia, no momento em que verifiquei que o meu posto de trabalho tinha um rádio. Apenas sintonizava uma estação, mas a música que por lá passava não era, de todo, má e cumpria o seu objectivo.

 

Quando mudei de posto, o computador foi comigo e, assim, comecei a passar os meus dias a ouvir a Antena 3. O meu actual lugar de trabalho é um tanto barulhento e, por isso, necessito (mesmo!) da música para concentrar. Tem-me, igualmente, ajudado na gestão do stress diário que tenho e melhorado a minha capacidade de organização (é frequente a vontade de atirar as folhas todas para o ar e fugir). Noto, bastante, a diferença de quando trabalho com música e sem música. A maior diferença é na minha capacidade de gerir as emoções. Com a música, torna-se mais fácil de me abstrair e conseguir fazer um reset ao tumulto dentro de mim. Quando estou sem música, começo a esfumar dos ouvidos bem mais rapidamente e a imaginar como haveria de assassinar a pessoa que me está a irritar (também acontece quando oiço música, mas aí sou muito mais criativa).

 

musicAtWork.jpg

 (fonte)

 

Eu sei que existem patrões que não gostam de música no local de trabalho (um deles é o meu, mas rapidamente se apercebeu que seria uma guerra perdida na empresa. Quase todos os postos de trabalho têm música, seja da rádio ou do computador e é dos primeiros sons que se ouve logo de manhã: a música e o ligar das máquinas), mas as pessoas têm a tendência de não perceberem o impacto da música na vida e no cérebro das pessoas. A música é estimulante e é relaxante. A música permite-nos descontrair e a concentrar. A música ajuda-nos a ver os problemas como algo de solução fácil e rápida e a fazer-nos querer arregaçar as mangas para resolver as coisas imediatamente. A música torna o trabalho mais fácil de tolerar, principalmente quando se trabalha em algo que não se gosta. E caso tenham dúvidas disto, basta consultarem a ciência (artigo da Shifter).

 

É óbvio que nem toda a música serve. Existe música que é distractiva. Ouvir música carnavalesca ou pimba é meio caminho andado para que não se faça o trabalho. Se o trabalho for aborrecido, uma música lenta (e aqui também depende dos gostos de cada um) dará vontade de dormir. A música deve ser adaptada de acordo com os gostos e o modo como as pessoas funcionam. Eu, por exemplo, ouvia The Prodigy, Rammstein e System of a Down enquanto estudava cálculos e físicas na universidade. Jamais ouviria no local de trabalho porque 1) é demasiado barulhento e acabaria por não ouvir as pessoas e 2) estimula-me demasiado para as tarefas que normalmente tenho em mãos e 3) honestamente? as pessoas iriam achar que eu era uma maluquinha e já me basta o estereótipo de "a menina mais nova". Já em casa (ou a caminho de casa, obrigada Spotify!), nos dias em que estou mais irritada, não os dispenso.

 

As pessoas (e por pessoas falo nos patrões) deviam ser mais compreensivos, fazerem um esforço para entender como podem melhorar o dia-a-dia dos trabalhadores e deixarem de revirarem os olhos sempre que notam que os trabalhadores estão a ouvir música. A música não morde, mas os trabalhadores morderão se lhes tiram a música

 

Productivity_Infographic.gif

(fonte

Citações soltas #7

"Criar é comprometedor. Dançar graciosamente e criar versos bonitos. Cantar, fotografar e pintar bem deixou de ser requisito. Do que se cria espera-se uma mensagem, um qualquer significado transcendente, e que este esteja associado, ou em sintonia, com uma causa qualquer."

 

Kalaf Epalanga, Também os Brancos Sabem Dançar

Livro lidos: The Year of Magical Thinking

A primeira vez que ouvi falar em Joan Didion foi devido a um texto dela sobre a importância de manter um diário. Li o texto em causa e gostei, imediatamente, da forma como Didion escreve. No entanto, só me convenci a ler um livro dela após ter visto o documentário da Netflix, Joan Didion: The Center Will Not Hold. Decidi começar por The Year of Magical Thinking.

 

“Life changes in the instant. The ordinary instant."

 

Escolhi este livro por achar mais apropriado após a visualização do documentário. Já sabia sobre o que falava e, por isso, decidi, como na gíria se diz, enfrentar o touro pelos cornos. Este livro trata-se de uma reflexão do ano que se seguiu à morte do marido de Joan, John Gregory Dunne. Dunne morreu alguns dias após a filha deles ser internada no hospital por causa de uma pneumonia e em perigo de vida. Ao longo do livro, Didion relata o que foi acontecendo ao longo desse ano e de que forma ela foi reagindo às adversidades que lhe foram aparecendo.

 

“A single person is missing for you, and the whole world is empty.” 

 

Não é um livro difícil de ler, pois a escrita de Joan é simples e concisa. No entanto, devido ao tema que é abordado (o luto), não se pode dizer que seja um livro fácil de ler. Para alguém que ainda não perdeu @ parceir@ de vida, a leitura deste livro permitiu-me entender melhor o sofrimento provocado por tamanha perda. Para alguém que tenha perdido alguém assim tão próximo, talvez seja um pouco reconfortante entender que não está sozinh@.

 

Foi um livro que me deixou com um aperto no peito e uma vontade de abraçar quem me é próximo. E creio que o próximo livro que irei ler de Joan Didion também me irá deixar de lágrimas nos olhos.

 

"I know why we try to keep the dead alive: we try to keep them alive in order to keep them with us. I also know that if we are to live ourselves there comes a point at which we must relinquish the dead, let them go, keep them dead."

 

 

2018-01-27_09.21.05_1[1].jpg

 

 

 

Quando a vida te troca as voltas

Nos inícios de Dezembro, tinha recuperado a motivação para fazer mais. Tinha encontrado a vontade de mudar os hábitos que foram sendo adquiridos após o início do trabalho. E as coisas foram correndo bem, até ao dia em que deixaram de correr

 

A verdade é que comecei a deixar de ter paciência para muitas coisas que antes adorava. Uma delas foi o blog. Num abrir e fechar de olhos, deixei de querer partilhar opiniões e textos. Passei a querer manter as minhas palavras só para mim e esconde-las do mundo em meu redor. Escrevia apenas para mim e comecei, lentamente, a reparar numa nova tendência: os meus textos começaram a ser escuros e auto-depreciativos. Apenas quando reparei nisto que decidi que algo teria de mudar. Forcei-me a restabelecer hábitos que me deixavam inspirada, criei novos hábitos e obriguei-me a enfrentar a minha frustração e a tentar compreender o porquê de ela existir. Tem sido um processo lento e difícil, uma batalha diária, mas já começo a ver alguma luz ao fundo do túnel

 

Os meus texto já não são tão depreciativos como foram no início do ano, ainda não sei o que quero fazer no futuro, continuo a sentir-me frustrada em relação a isso e a deixar essa frustração prejudicar-me, e continuo a querer esconder muito daquilo que escrevo. Porém, voltei a estar disposta a partilhar um pouco do que se passa dentro da minha cabeça.

 

Creio que posso dizer que estou de volta ao blog. A ver se, desta vez, consigo manter-me fiel

Baby it's cold outside

Tem estado tanto frio... As minhas mãos andam geladas, independentemente da quantidade de roupa que uso. Já tive de ir comprar meias de lã para andar por cima das meias normais. A minha capacidade de vestir em camadas tem melhorado consideravelmente. E comprei um mini-aquecedor para levar para o trabalho (aquece sítio é gelado..!).

 

Já começa a custar acordar. Mal tiro a cabeça de debaixo das mantas, tremo logo. O yoga e as morning pages começaram a ser substituídos por mais alguns minutos enfiada na cama. As caminhadas ao final do dia tornaram-se mais complicadas e os banhos incrivelmente quentes. Os serões são, agora, passados em frente da lareira a ler ou a ver séries e o regresso à cama acontece cada vez mais cedo.

 

Apanhar sol voltou a ser um prazer e uma necessidade. Os gorros e as luvas saíram do armário e os cachecóis aumentaram de tamanho. E o jazz voltou a ser uma companhia constante.

 

O frio está de volta e eu (acho) que estou preparada para ele.

 

 

 

Numb

Sempre achei que "não tenho tempo" era uma desculpa esfarrapada que as pessoas tinham. Sempre achei que todo o mundo tinha tempo para fazer o que quisesse e que não o fazia por falta de força de vontade e/ou capacidade de gestão/organização. Ao final de dois meses de trabalho, posso dizer que acabei por  provar que eu sempre tinha razão.

 

Não tenho feito nada daquilo que queria fazer durante os meus tempos-livres. Coloquei o exercício físico de lado, apenas escrevo ao fim-de-semana e sobre nada em concreto e sem lógica, mal tenho pegado em livros e visto filmes/séries. Todos os dias enfio-me na cama a dizer que o dia seguinte será melhor, mas, mal acordo, sei que o dia não será muito diferente do anterior. Tenho-me tornado num zombie, que faz as coisas de forma rotineira e que perdeu o prazer de as fazer. Ao longo das 8 horas de trabalho, sinto-me minimamente viva, muito à custa da necessidade de fazer as coisas o melhor possível e com urgência. Mas, assim que coloco os pés dentro de casa, o piloto automático aparece e, quando dou por mim, estou enfiada na cama e passei o tempo todo desde que cheguei a casa perdida nas redes sociais. Tenho uma lista enorme de artigos que gostaria de ler, mas não consigo convencer-me a ler-los. E passo os fins-de-semana a dormir ou a desejar que estivesse a dormir.

 

Acabei por me tornar na pessoa que passei anos a dizer que jamais me tornaria.

 

I feel numb

 

 

Mas as coisas começaram a mudar esta semana. Fui ao Coliseu ver um espectáculo de ballet. Comecei a acender uma vela assim que chego a casa e a ser mais meticulosa enquanto faço a minha cama. Voltei a pegar num livro e a ler com prazer. Rearranjei a minha estante e comprei mais livros. Voltei a pintar as unhas e voltei a dançar como se ninguém estivesse a ver. Até já dei por mim a cantarolar.

 

É através de pequenos passos que uma pessoa consegue readquirir o controlo da sua vida. E eu, finalmente, comecei a dar esses pequenos passos.

 

 

 

Coisas do tempo

Não gosto da mudança da hora. Sim, sabe bem poder dormir mais uma hora no Outono, mas é extremamente horrível dormir menos uma hora na Primavera. Porém, não é isto o que mais me incomoda...

 

Odeio olhar lá para fora, ver que já é noite e pensar "está na hora de preparar o jantar" e, quando dou por isso, ainda são 18 horas. É ridículo e só me dá vontade de me enfiar na cama e esquecer o mundo, porque, apesar de ainda ser cedo, para mim parece tarde e começo logo a pensar que ainda tenho muita coisa para fazer e que não vou ter tempo (o que, na realidade, tenho, porque AINDA SÃO 18 HORAS!!!). E nem vou falar no facto de que estava habituada sair de casa ainda de noite e, de um dia para o outro, já tenho que enfrentar o sol logo pela manhã.

 

Para mim, esta mudança da hora tem-se tornado um motivo de stress desnecessário. Onde é que podemos votar para que isto acabe?

 

 

Obrigada Google!

Sempre admirei os doodles da Google. Para além do teor informativo que está por detrás deles, a forma como a Google apresenta as coisas, principalmente as maiores festividades, deixam-me sempre com um sorriso.E o doodle de Halloween deste ano não é excepção. 

 

Este ano, o doodle apresenta-nos Jinx, um fantasma solitário que tenta encontrar o disfarce perfeito e um lugar no mundo. De um modo cómico, a Google conseguiu tocar num assunto importante: a inclusão e acepção do que nos é diferente. Através de algo simples e acessível, quer para crianças, quer para adultos, a Google diz muito e faz-nos pensar nos nossos actos. Gostamos de dizer que vivemos numa sociedade tolerante e que aceitamos as diferenças dos outros, mas basta olhar para as notícias e para os comentários nas redes sociais para entender que estamos muito longe de sermos tolerantes. E isso precisa de mudar urgentemente.

 

É um doodle que nos deixa com um sorriso nos lábios e uma lágrima no canto do olho.

 

 

 

 

 

Happy Halloween 

 

P.S.: Já agora, fui a única que teve morceguinhos na página de gestão do blog?

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