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Tu tens a mania

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Livros lidos #3: The Handmaid's Tale

Antes de mais, tenho que admitir que fui influenciada a comprar e a ler este livro devido à série televisiva. Comprei-o antes de a série começar, mas só o li durante as férias. E não, ainda não vi a série.

 

Foi um daqueles livros que devorei em dois dias e que passei os dias seguintes a pensar nele sem conseguir pegar noutro livro. A história passa-se num futuro distópico, na República de Gilead (ex-EUA). Um grupo fundamentalista cristão - os Filhos de Jacob - organizaram uma revolução e conseguiram suspender a constituição. Com isto, fizeram desaparecer os direitos das mulheres e, como o número de mulheres férteis era reduzido devido à poluição e doenças, criaram um grupo de trabalho (forçado) constituído por todas as mulheres férteis, cujo objectivo é gerar crianças para as famílias de classe privilegiada.

 

Esta história é contada do ponto de vista de Offred, desde o momento que inicia o seu terceiro trabalho, ou seja, desde que ela se muda para a casa da família para a qual ela terá de dar a criança que gerar com o homem da casa, o Comandante. Durante as primeiras páginas, é-nos possível conhecer um pouco do que é ser uma handmaid, os seus direitos e deveres, o que faz no dia-a-dia, proibições e o modo como elas interagem com o mundo. Ao longo do enredo, Offred conta ainda as pequenas memórias que tem do tempo antes da revolução, do marido e da filha que nunca mais viu e não sabe se estão vivos.

 

O livro foi publicado em 1986, altura em que Ronald Reagan declarava que a sociedade necessitava de retomar aos velhos costumes, a sociedade vivia assustada com o vírus VIH e os movimentos cristãos e de direita começavam a ganhar força, em resposta ao movimento Free Love (movimento que aceita todas as formas de amor, defendido pelos hippies). Passados 20 anos, podemos ver que as coisas, no fundo, não mudaram muito.

 

Devido à temática, achava que iria ser um livro agressivo. Porém, Atwood tem um dom de conseguir escrever de forma simples e profunda, sem chocar. Mas acredito que a série seja bem mais agressiva e arrepiante, até porque existe situações que são meramente mencionadas no livro e que numa série existe imenso espaço para as explorar. No entanto, foi um livro que me deixou inquieta devido à forma como as coisas são retratadas e à forma como a mulher é vista no livro. Esta visão, infelizmente, ainda existe na nossa sociedade: que a mulher deve-se tapar, que a mulher só serve para gerar crianças, que a mulher não tem direito a opinião, que se uma mulher é violada foi por culpa dela... Este "movimento" tem piorado nos últimos meses à custa da eleição do Trump e da propagação do movimento alt-right que não sabe interpretar textos e entender ironia (ainda hei-de escrever algo sobre isto porque, para mim, é hilariante).

 

Tenho meramente uma critica a fazer este livro: acaba num valente cliffhanger. Não sei o que acontece a Offred e preciso de saber.  Se alguém viu a série e sabe o que lhe acontece no final, podem dizer-me???

 

"Nolite te bastardes carborundorum. Don't let the bastards grind you down*"

 

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* Lema para a vida, criada como piada nas aulas de latim da infância de Atwood

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