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Tu tens a mania

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Dia Mundial da Poesia

Hoje celebra-se o dia mundial da Poesia. Este evento foi criado pela UNESCO em 1999, com o intuito depromover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia.

Nunca fui fã de poesia durante os meus estudos. Odiava sempre que me aparecia um poema à frente. As coisas começaram a mudar quando conheci a poesia de Pessoa. Isso aconteceu (mais ou menos) no meu 9º ano, mas o gosto ficou em stand-by até ao 12º ano: novamente Pessoa entrou na minha vida. Desde então, passei a procurar incluir mais poesia na minha vida. Tenho alguns poemas favoritos, e outros que se tornam significantes durante um curto período de tempo e depois nunca mais me lembro deles. Curiosamente, foi através da poesia de Pessoa que comecei a ler a poesia de Sophia de Mello Breyner e de William Shakespeare.

 

Infelizmente, continuo a ser esquisita no que toca a poesia. Torço o nariz à maioria que me passa à frente. Mas, de vez em quando, lá aparece um que me deixa a pensar durante dias.

 

Neste dia da Poesia, deixo aqui 3 poemas que adoro desde o dia em que os li.

 

Sophia de Mello Breyner - Há cidades acesas na distância

Há cidades acesas na distância,
Magnéticas e fundas como luas,
Descampados em flor e negras ruas
Cheias de exaltação e ressonância.

Há cidades acesas cujo lume
Destrói a insegurança dos meus passos,
E o anjo do real abre os seus braços
Em nardos que me matam de perfume.

E eu tenho de partir para saber
Quem sou, para saber qual é o nome
Do profundo existir que me consome
Neste país de névoa e de não ser.

 

Alberto Caeiro - Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.

 

William Shakespeare - Sonnet 18

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date;
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.


 

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