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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Livros e o mundo

Ontem, dia 23, foi dia Mundial do Livro. No ano passado falei sobre a sua origem (aqui). Este ano, um pouco atrasado, decidi reflectir sobre o porquê de lermos.

A resposta mais imediata é por prazer. Gostamos de ler porque nos permite fugir da realidade. Temos a possibilidade de conhecer novas cidades, mundos e realidades, sem termos que sair do nosso casulo. Ajuda a aliviar o stress criado com as nossas rotinas esgotantes. Permite conhecer consequências sem termos que cometer os actos. Permite saber que existe mais pessoas no mundo como nós e faz-nos sentir menos sozinhos.

Mas existe um lado analítico no acto de ler. A leitura permite-nos aprender, melhorar a linguagem e a escrita, melhorar a concentração e a memória, estimula a mente e desenvolve o sentido crítico. Permite-nos compreender o mundo e entender a natureza humana.

Conheço muita gente que só sabe criticar as pessoas e que não conseguem compreender como é que certas coisas acontecem (Trump, Brexit, Le Pen, etc.). E, ao ouvi-las falar, sei que lhes falta leitura. E também sei que a falta de leitura está por detrás do que se tem passado no mundo. A falta de sentido crítico permite acreditar em tudo o que nos é dito e que nos é apelativo, sem pensar na realidade por detrás das coisas.

Para mim, a falta de leitura tem sido um grande problema no mundo. Bem como a falta de empatia. E, curiosamente, ler permite desenvolver empatia.

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Eu achava que estávamos no séc. XII...

... Mas, aparentemente, estou enganada. Segundo o jornal russo Novaya Gazeta, as autoridades da Tchetchénia criaram uma campanha anti-gay, o que já levou a detenção de dezenas de homens, suspeitos de serem homossexuais. O porta-voz do líder tchetcheno já veio afirmar que é tudo mentira, dizendo que não existem gays na Tchetchénia : "You cannot detain and persecute people who simply do not exist in the republic". E vai mais longe, dizendo que, caso existam, serão as próprias famílias a tratarem do assunto: "If there were such people in Chechnya, the law-enforcement organs wouldn't need to have anything to do with them because their relatives would send them somewhere from which there is no returning".

As organizações humanitárias russas afirmam estarem a receber informação que apontam para a existência de um campo de concentração, onde os homens são agredidos várias vezes por dia, torturados com choques eléctricos,, e obrigados a sentarem-se em cima de garrafas.

A Tchetchénia é conhecida pelo seu conservantismo, sendo que o seu líder, Ramzen Kadyrov, apoia a poligamia e o uso obrigatório do véu islâmico. No caso dos homossexuais, são muito poucos aqueles que têm coragem de se assumir homossexuais, e as famílias tem a tendência de os deserdar. Também é "tradição" que suspeitos de homossexualidade desapareçam e que ninguém tente descobrir o que se passou.

A última vez que existiu um campo de concentração na Europa foi no tempo de Hitler (que, também, perseguiu os homossexuais, mas esta parte da história tem a tendência de ser escondida, e eu não entendo porquê). Era de se pensar que as coisas evoluíram desde então..

Gostava que houvesse uma resposta política por parte dos restantes países da Europa (pois sei que a Rússia nada irá fazer). E, ao ler os comentários a esta notícia, descobri alguém que pensa como eu: os homofóbicos têm algo a esconder.

 

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 autoria de myoldcatships

 

Fontes: The Guardian e Independent



 

A Sociedade e a Criatividade

Há muito tempo que vivo com uma cabeça com demasiada imaginação, mas nunca soube o que fazer com ela. Durante os tempos de escola, só praticava a componente técnica de desenho, raramente tínhamos a oportunidade de dar asas à imaginação. Em Português, estudávamos verbos, preposições e funções sintáticas como se fossem a coisa mais importante do mundo. Treinar a interpretação de texto e a escrita criativa é que não.

Fui conseguindo viver nesta ignorância criativa até precisar de escrever a dissertação. E, se quando comecei a escreve-la  achava que não seria necessário qualquer tipo de criatividade, ao fim de vários dias a olhar para as palavras e não saber o que fazer com elas, me apercebi da falta que faz uma educação correcta em Português (essencialmente). E, ao fim de alguns dias, fiquei a saber que esta opinião é partilhada por muita gente, professores incluídos.

Vivemos numa sociedade centrada em empregos passados atrás de uma secretária, com a cabeça baixa, as costas encurvadas e a disponibilidade de trabalhar para além das 8 horas diárias (e ai se nos atrevemos a não fazer mais do que essas 8 horas..). Quando se ouve alguém dizer que quer ser pintor, escritor, dançarino ou actor, o primeiro comentário que se ouve é "contínua a estudar, que só assim é que consegues um emprego decente". Ou então que a pessoa é preguiçosa e não quer trabalhar a sério. Ou então que vive numa ilusão (ganhas o jackpot se ouvires os três comentário de seguida, vindos da mesma pessoa).

Tentamos matar a criatividade desde crianças, ao enche-las de trabalhos de casa e de actividades extra-curriculares ligadas ao desporto e à aprendizagem de línguas (que também são coisas importantes, mas, nos tempos que correm, têm sido em exagero), de modo a cansa-los para que não os tenhamos de aturar durante a noite. Impedimos-los de brincar, porque fazem muito barulho ou porque se sujam. Ou então, sinal dos tempos modernos, damos-lhes telemóveis ou tablets para que fiquem caladinhos.

Estamos a criar zombies que, com o avançar da idade, se tornarão depressivos, incapazes de se adaptarem às adversidades e incapazes de apreciarem as coisas mais simples, como um sorriso ou um abraço., por exemplo.

Vivemos numa sociedade que anda a matar a criatividade e nós assistimos a isto, impávidos e serenos, como se fosse a coisa mais natural. 

 Alike, Daniel Martínez Lara e Rafa Cano Méndez

Dia das mentiras

Nunca gostei muito do dia das mentiras. Assisti, ao longo da vida, várias partidas engraçadas, principalmente vindas do meu tio, mas tudo o resto tem a tendência de roçar o estúpido e o nada original. Desde que comecei a frequentar a Internet, apercebi-me que não se pode confiar, de todo, no que é dito durante este dia. Aparecem sempre notícias fantásticas, que uma pessoa adorava que fossem reais, mas, com o passar do dia, a dura verdade lá aparece. O dia das mentiras passou a ser o dia em que te apercebes que até és fácil de enganar.

Porém, neste último ano, o dia das mentiras deixou de ser apenas no dia 1 de Abril. Somos confrontados, diariamente, com notícias falsas, criadas meramente para atrair visitas as sites que as propagam e que servem para incendiar as pessoas e desviar a sua atenção de coisas que realmente importam. Numa sociedade onde notícias falsas, factos alternativos e clickbait andam de mãos dadas com o jornalismo actual, o dia das mentiras deixou de ter qualquer significado. Cada vez mais é necessário verificar se o que é dito na imprensa é realmente verdade, de verificar a credibilidade do site onde a notícia é exposta, verificar quais são as fontes utilizadas, etc. Cada vez mais é preciso ser-se jornalista para compreender se o que é dito pelos jornalistas é realidade.

Felizmente, por Portugal, as coisas ainda vão um pouco calmas. Existe muitos casos de clickbait (um dos motivos pelos quais estou a começar a deixar de ler notícias portuguesas) e alguns casos de notícias deturpadas, de acordo com a visão do jornal onde a notícia foi publicadas. Nada de muito grave, como é normal acontecer em outros países. Mas, como sempre, tudo o que é fenómeno nos EUA, se torna moda por cá, cheira-me que o jornalismo português vai ficar pior nos próximos tempos, estendendo, assim, o dia das mentiras para os restantes dias do ano. É lamentável mas, infelizmente, é a realidade.

 

P.S.:  Atenção, não culpo os jornalistas. Culpo as agências noticiosas que preferem ver lucro do que apresentar a realidade tal como ela é.

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