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Tu tens a mania

Tu tens a mania

O caso de Kanye West

Vou ser muito sincera: não gosto nada dele. Até é um bom produtor, mas perde a graça toda quando abre a boca e diz disparates. Mas, nos últimos tempos, as coisas pioraram imenso, ao ponto de ele agora se encontrar hospitalizado. Muita tinta corre em torno disto e muita mentira tem sido espalhada e, consequentemente, não se sabe ao certo o que se passa. Mas uma coisa tenho a certeza: as mentiras que se têm espalhado não beneficiam ninguém e só prejudicará Kanye West.

Nunca pensei escrever sobre ele e o que se tem passado em torno dele, mas o querido jornal SOL fez questão de me  enervar logo de manhã. O título da notícia diz "Kanye West. Estará louco?". Após muita ponderação, optei por não comentar a notícia, por saber o circo que é a secção de comentários (muitas das pessoas que lá comentam é que são loucas). 

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Sim, Kanye West é maluco. Não sabe pensar antes de abrir a boca e só sabe dizer disparates (como muitos que comentam as notícias dos jornais no Facebook). Mas não é louco por estar hospitalizado com problemas mentais (porque é disso que se trata, garantidamente). Deixem de estereotipar as pessoas com problemas mentais como loucos. Loucos são aqueles que acham que se cura a homossexualidade. Loucos são aqueles que acham que as mulheres só servem para procriar e tomar conta da casa. Loucos são aqueles que acham que todos os muçulmanos são culpados pelos atentados terroristas. Loucos são aqueles que votaram no Brexit e em Donald Trump. Loucos são aqueles que acham que se pode confiar em Putin.

 

Caro jornal SOL, é mais que tempo de saber respeitar as pessoas, os seus problemas e as suas realidades. Comecem a fazer jornalismo sério, em vez de espalhar mesquinhices.

Ainda sobre o Prémio Nobel da Literatura

Alguém sabe como se pode assistir ao banquete da entrega dos Prémios Nobel??? É que a Patti Smith vai actuar em vez do Bob Dylan e eu quero vê-la...!

Notícia Público

patti.jpg

 

 E confirmação da Patti Smith (retirado do Facebook da cantora)

"In September while attending the opening of my photographic exhibition at the Stockholm House of Culture, I was approached by a member of the Nobel Committee to sing at the ceremony.

At that time the laureates were not announced and I had planned to perform one of my own songs with the orchestra. But after Bob Dylan was announced as the winner and he accepted, it seemed appropriate to set my own song aside and choose one of his.

I chose A Hard Rain because it is one of his most beautiful songs. It combines his Rimbaudian mastery of language with a deep understanding of the causes of suffering and ultimately human resilience.

I have been following him since I was a teenager, half a century to be exact. His influence has been broad and I owe him a great debt for that.

I had not anticipated singing a Bob Dylan song on December 10, but I am very proud to be doing so and will approach the task with a sense of gratitude for having him as our distant, but present, cultural shepherd."

 

Richard Zimler

Sempre foi um escritor que ouvia falar durante anos, mas não conhecia. Via o seu livro O Último Cabalista de Lisboa nas estantes das livrarias e nunca tive a curiosidade de lhe pegar e conhecer o porquê do burburinho. Mas um dia isso mudou. Foi há pouco mais de um ano que vi O último Cabalista a venda, com uma capa diferente do que era habitual, e com 50% de desconto. Foi aí que peguei, pela primeira vez, num livro dele. Escusado dizer que ele veio comigo para casa. Ainda resisti um pouco a lê-lo. Tinha alguns livros ainda para ler e fui sempre adiando até que, no início do corrente ano me decidi, a lê-lo. No início tive alguma dificuldade em ler. Era uma escrita um pouco diferente do que estava habituada, bem como o tipo de história divergia do que lia: não gosto de livros com alguma relação à religião (excepto alguns romances de um certo escritor que apresenta as notícias no canal público) . Não é que o livro seja sobre religião per se. A história gira em torno um jovem judeu que sobrevive ao Massacre de Lisboa de 1506 e que tenta descobrir quem matou o seu tio. Deixei o livro de lado durante algum tempo por causa da descrição das atrocidades que as pessoas fizeram aos judeus. Mas, eventualmente, superei o meu desconforto e acabei por devorar o livro.

 

Quando gosto imenso de um livro, tenho sempre receio de ler um outro livro do autor. Tenho sempre medo de criar expectativas em relação ao autor e, depois, me desiludir (daí ainda ter Os Anagramas de Varsóvia na estante à minha espera). No entanto, o que mais conquistou em Richard Zimler foi a sua maneira de ser. Tive o prazer de o "conhecer" na Viagem Literária, em Coimbra. Para além da fantástica forma de falar, achei-o extraordinário: simples, humilde, com um conhecimento invejável. E, a partir daí, fui pesquisando por entrevistas que ele tenha dado. Aquela que mais adoro é, sem dúvida The Man I Love, do Público, dada em 2012 juntamente com Alexandre Quintanilha. Falam de como se conheceram, de homossexualidade, SIDA e da mudança dos EUA para Portugal. Foi das entrevistas mais apelativas que alguma vez tinha lido e é a única que se encontra guardada nos Favoritos do meu browser

 

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 Autoria: Nelson Garrido

Ontem, o Jornal I publicou uma entrevista com Richard Zimler acerca do seu novo livro (O Evangelho Segundo Lázaro). Começam po falar no livro, mas a conversa chega, eventualmente, à relação com Alexandre Quintanilha. Foi aqui que li um dos melhores conselhos acerca de relacionamentos. Eu sempre adoptei essa posição, mas as coisas nunca correram muito bem para o meu lado. E ver alguém que admiro e que se encontra numa relação há quase 40 anos a dizer o mesmo, serve para me aperceber que, afinal, não estava assim tão enganada.

 

"É preciso aprender a amar?

Sim. Isso aprendi com a minha mãe, apesar de todas as dificuldades que tinha com ela. Podíamos ter uma discussão terrível e ela pegava na minha mãe e dizia: “Podemos voltar ao início porque isto não correu bem?”. E eu confiava na mão dela. Foi a minha mãe que me ensinou que, por vezes, basta dar um beijinho ou pegar na mão. Nunca me deito zangado com o Alexandre, não sou capaz. Isto foi o Alexandre que teve de aprender comigo. Ele não confessava que estava chateado, durante dias, semanas, e depois explodia. Isso não dá. Antes de irmos para a cama, se temos algo para falar, eu digo: “Sei que estás cansado, mas temos de falar, são dez minutos.” E resulta."

 

Acho terrível que as pessoas achem que as coisas passam com o tempo. A única coisa que passa com o tempo é a mágoa (e há delas que nunca desaparecem), e a vontade de mudar. Estive 5 anos numa relação em que a outra parte dizia, constantemente, que estava tudo bem e, passado algum tempo, explodia. Se resolvia alguma coisa? Nada, só piorava. Chegou a um ponto que nem valia a pena perguntar o que se passava e as coisas começaram a acumular-se. Quantoas relações não terão passado pelos menos, e quantos se mantém assim, degradando ambas as partes?

 

Não falar não é solução. Pelo contrário, é mais um pedaço de madeira para manter o fogo activo. Portanto, vamos falar???

 

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