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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Van Gogh

Neste dia, em 1853, nasceu Vincent van Gogh.

Antes de se dedicar à pintura, Vincent trabalhou na Goupil & Cie, uma empresa de negociantes de arte. Chegou a ensinar, mas conheceu a sua arte enquanto trabalhava como missionário numa região mineira.  Os seus primeiros trabalhos eram esboços dos trabalhadores locais, com tonalidades escuras, bem diferentes dos seus trabalhos mais conhecidos.

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 The potatoes eaters, Vincent van Gogh, 1885

 

Em 1886 mudou-se para Paris, mais propriamente Montmartre, e aí conheceu o Impressionismo. Entre os seus conhecidos, encontram-se Henri de Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin e Émile Bernard.

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 Bank of the Seine, Vincent van Gogh, 1887

 

Ao fim de dois anos, mudou-se para Arles, na esperança de se inspirar na luz do sol, bastante apreciada no sul de França e para recuperar dos maus hábitos obtidos em Paris. Foi aqui que se deixou contiagiar pelas cores fortes, nomeadamente o amarelo, o azul marinho e a cor de malva. Os seus quadros representavam cenas paisagisticas, com alguns retratos pelo meio. Foi aqui que nasceu um dos seus quadros mais conhecidos, que, na realidade, faz parte de uma séries de estudos em torno de girassóis.

 

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Sunflowers, Vincent van Gogh, 1889

 

Gauguin visitou van Gogh e partilhou casa com ele durante algum tempo, durante o ano de 1889. Durante esse período, ambos se dedicaram à pintura e à troca de ideias. No entanto, devido ao conflito de personalidades, era costume discutirem e van Gogh vivia sob tensão, com medo que Gauguin o abandonasse. A 23 de Dezembro desse mesmo ano, com motivos desconhecidos, van Gogh ataca Gauguin. Nessa noite, corta, ainda, a sua orelha esquerda e entrega-a a uma prostituta num bordel. Devido a este episódio, van Gogh foi enternado num hospital e Gauguin partiu. Após a sua recuperação, voltou à sua casa. No entanto, devido a alucinações, passou o mês seguinte entre o hospital e casa. 

No seguimento do ataque e dos episódios de alucinações, os habitantes de Arles assinaram uma petição para que a polícia fechasse a casa de van Gogh e que o expulsasse da terra, com medo de que os novos ataques os atingisse. Eventualmente, van Gogh abandona Arles e interna-se (voluntariamente) num asílo em Saint-Rémy-de-Provence.

 

Este asilo situava-se num antigo mosteiro. Durante a sua estadia, o mosteiro e o seu jardim tornaram-se a fonte de inspiração de van Gogh. Com acesso limitado ao mundo exterior, acabou por estudar o trabalho de outros pintores, nomeadamente, Millet.

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 The Starry Night, Vincent van Gogh, 1889

 

A Maio de 1890, apó um ano internado, van Gogh muda-se para Auvers-sur-Oise, de modo a viver um pouco mais perto de seu irmão, Theo. Durante a sua estadia, os seus quadros tornaram-se um pouco sombrios, mas sempre com um toque de optimismo. Mas a realidade é que, apesar do seu esforço para melhorar, van Gogh continuava em sofrimento, com ataques de desespero e alucinações. A 27 de Julho de 1890, no meio de um campo de trigo onde andava a pintar, van Gogh deu um tiro a si próprio. Sem testemunhas e a arma nunca foi encontrada. Mesmo assim, van Gogh conseguiu regressar a sua casa, onde foi visto por dois médicos. Na manhã seguinte, Theo fica surpreendido quando se percebe que van Gogh aparenta estar de boa saúde. Porém, acaba por morrer nessa mesma noite. Segundo Theo, as suas últimas palavras foram "The sadness will last forever".

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 Wheatfield with Crows, Vincent van Gogh, 1890

 

Foi enterrado no cemitério municipal de Auvers-sur-Olsen. Seis meses após a sua morte, Theo acaba, também, por falecer, sendo enterrado em Utrecht.

A mulher de Theo va Gogh, Jo Bonger, conseguiu que o corpo de Theo fosse transladado para junto do seu irmão, no mesmo ano em que publicou as inúmeras cartas trocadas entre irmão. Estas cartas mostram bem as dificuldades vividas por ambos os irmãos e de como, apesar de tudo, se mantiveram unidos.

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 Sepultura de Vincent e Theo van Gogh, Auvers-sur-Olsen

 

De que sofreu Vincen van Gogh, não é claro. Esquizofrenia, bipolaridade, envenenamento por ingestão de tintas (van Gogh dizia que o amarelo o fazia feliz), epilepsia, sífilis, etc. A verdade é que, independentemente da doença mental que sofria, van Gogh sentia-se infeliz. E, porventura, encontrou na morte a sua felicidade.

 

Imagens dos quadros retiradas de van Gogh Museum.

The Starry night: The Museum of Modern Art/Google

Sepultura de van Gogh: autoria de Remy Overkempe

 

Livros:

  • Lust for Life, de Irving Stone;
  • The Letters of Vincent van Gogh;
  • http://vangoghletters.org/vg/.

Filmes:

  • Lust for life, 1956;
  • Van Gogh: Painted with words, 2010;
  • Doctor who, temporada 5, episódio 13, Vincent and the Doctor, 2010;
  • Loving Vincent, com data prevista de estreia este ano.

 Cena final do episódio Vincent and the Doctor

 

 Trailer do filme Loving Vincent

 

 

 

Chocolate e livros portugueses

Segundo me chegou aos ouvidos durante o dia, hoje é, não só, o dia mundial do chocolate, mas também o dia do livro português.

Admito que, quando soube destes factos, desatei a rir. Porquê? Porque hoje comecei a ler "O Mandarim" de Eça de Queirós e dei cabo da metade da tablete de chocolate que ainda havia cá em casa (a outra metade desapareceu ontem). Nunca ligo muito a coincidências, mas esta já me deu lágrimas de riso e vontade de continuar a ler e a comer chocolate. A primeira parte é facil de cumprir. A segunda já nem por isso. Quer dizer, ainda tenho amêndoas de chocolate espalhadas pela casa, mas não é a mesma coisa de comer outra tablete.

 

DSC07555.JPG

 

Dia Mundial da Poesia

Hoje celebra-se o dia mundial da Poesia. Este evento foi criado pela UNESCO em 1999, com o intuito depromover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia.

Nunca fui fã de poesia durante os meus estudos. Odiava sempre que me aparecia um poema à frente. As coisas começaram a mudar quando conheci a poesia de Pessoa. Isso aconteceu (mais ou menos) no meu 9º ano, mas o gosto ficou em stand-by até ao 12º ano: novamente Pessoa entrou na minha vida. Desde então, passei a procurar incluir mais poesia na minha vida. Tenho alguns poemas favoritos, e outros que se tornam significantes durante um curto período de tempo e depois nunca mais me lembro deles. Curiosamente, foi através da poesia de Pessoa que comecei a ler a poesia de Sophia de Mello Breyner e de William Shakespeare.

 

Infelizmente, continuo a ser esquisita no que toca a poesia. Torço o nariz à maioria que me passa à frente. Mas, de vez em quando, lá aparece um que me deixa a pensar durante dias.

 

Neste dia da Poesia, deixo aqui 3 poemas que adoro desde o dia em que os li.

 

Sophia de Mello Breyner - Há cidades acesas na distância

Há cidades acesas na distância,
Magnéticas e fundas como luas,
Descampados em flor e negras ruas
Cheias de exaltação e ressonância.

Há cidades acesas cujo lume
Destrói a insegurança dos meus passos,
E o anjo do real abre os seus braços
Em nardos que me matam de perfume.

E eu tenho de partir para saber
Quem sou, para saber qual é o nome
Do profundo existir que me consome
Neste país de névoa e de não ser.

 

Alberto Caeiro - Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.

 

William Shakespeare - Sonnet 18

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date;
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.


 

Para mim, está de chuva.

Eu gosto dos dias de chuva. Porquê? Porque assim o meu mau humor parece natural, com razões óbvias e ninguém se atreve a criticar. Uma pessoa pode abraçar a melancolia que ninguém se atreve a mandar qualquer boquinha. Posso mandar olhares mortíferos a quem se atreve a chatear-me e a culpa vai para a chuva.

O mesmo não acontece nos dias de sol, como o de hoje. Estou com um mau humor pior que sei lá o que (o que não é muito incomum na minha pessoa, para ser sincera). Toda a gente está sorridente porque está sol. A mim, apetece-me que o mundo imploda, pois ainda é quinta-feira. Ou porque não tenho conseguido dormir em condições. Ou porque tinha planeado ler mais do que aquilo que tenho conseguido. Ou porque a minha mãe está no bem-bom e eu tenho que estar fechada num escritório a analisar dados.

A minha sorte é que tenho uma hora de almoço, onde poderei comer e ler ao sol. Mas depois tenho mais 4 horas de Excel pela frente. E 20 minutos de caminhada em passo bem rápido para apanhar o autocarro. E outros 40 minutos de viagem em autocarro cheio (pois é quinta-feira).

Não é nada contra os transportes públicos, nem contra a multidão que os usa, nem contra os dias de sol. É apenas algo contra as quintas-feiras. Tenho sempre a sensação que é o dia mais longo da semana. Sexta- feira tão pertinho e ainda tenho que aguentar este dia inteiro. 

Por outras palavras, estou lixada. E, apesar de estar sol, para mim hoje está de chuva.

 

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