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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Ausência

Há duas semanas que não escrevo por aqui. Há três semanas que comecei a trabalhar. Os dois factos estão um pouco interligados, mas não é o cansaço que os une. É a falta de paciência de me sentar em frente de um computador. Desde que comecei a trabalhar que ligo cada vez menos o computador. Passei, até, alguns dias em que nem me aproximei dele. Não tenho tido vontade de ver a vida dos outros, quer no blog, quer nas redes sociais. Não deixei de escrever e as páginas cheias de palavras e ideias que enchem a minha capa podem comprovar isso. Mas a perspectiva de me sentar e de as tentar passar para o computador aterrorizava-me. Deixei, também, de ver filmes e séries. E eu tinha tanto que queria ver...

Porém, durante esta semana, comecei a recuperar a minha vontade de partilhar o que penso. E só hoje é que consegui convencer-me a fazê-lo. Quero tentar dar pequenos passos ao longo da próxima semana, evitando sobrecarregar-me, escrevendo aqui e ali, partilhando opiniões e disparates e ver o que se tem escrito por aqueles que sigo.

Poderia dizer que a culpa é do emprego novo, mas creio que a culpa é da minha versão de autumn blues (estou absolutamente farta do calor, QUERO CHUVA!!!!)

 

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Livros lidos #4: Wishful Drinking

Sou fã de Carrie Fisher desde o dia que a vi em Star Wars. Com o passar dos tempos e o aparecimento das redes sociais, Carrie Fisher tornou-se numa das minhas personalidades favoritas. Mas, estupidamente, nunca tinha lido um livro dela. Há uns meses atrás, "tropecei" numa promoção e acabei por comprar o meu primeiro livro de Fisher, Wishful Drinking, que foi o seu primeiro livro de não-ficção. Nest livro, ela conta como foi crescer com Debbie Reynolds como mãe e Eddie Fisher como pai, como foi a sua relação com os casamentos destes, a sua relação com Paul Simon e Bryan Lourd (pai da sua filha Billie Lourd), e a sua relação com o álcool, as drogas e a bipolaridade.

 

É um livro recheado de piadas, trocadilhos e sarcasmo, muito sarcasmo. Demorei menos de 24 horas a ler este livro, por tão viciante que era a escrita. Fisher fala da sua vida com tal leveza, que leva uma pessoa a pensar que, de facto, devíamos levar a vida com menos seriedade e mais humor.

 

A escrita de Carrie Fisher tornou-se o mais recente motivo para a adorar e já tenho em mente o próximo livro dela que irei adquirir: Shockaholic.

 

 

"Resentment is like drinking a poison and waiting for the other person to die"

 

"If my life wasn't funny, it would just be true, and that is unacceptable"

 

"You know how they say that religion is the opiate of the masses? Well, I took masses of opiates religiously"

 

 

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Jane Austen é do alt-right?

De acordo com os meninos do Alt-Right, sim. Por exemplo, o menino Milo Yannopoulos diz:

 

"As a Victorian novelist might have put it: 'It is a truth universally acknowledged that an ugly woman is far more likely to be a feminist than a hot one'"

 

Ao qual eu respondo: Jane Austen é uma escritora da era Georgiana, dumbass, e existe muita mulher bonita que é feminista, mas, como jamais terias hipóteses com elas, preferes dizer que são feias. Continua assim que continuarás solteiro. E tenho a dizer que são os homens feios que se viram para o Alt-Right.

 

Depois de estragarem a vida ao criador do Pepe the Frog, que continua a lutar pelo seu sapinho, e de dizerem que Taylor Swift é uma deusa ariana, "que prefere ficar em casa a ler Jane Austen e brincar com um gato, do que sair e ter gang-bangs com homens de cor, como a Miley Cyrus" (No entanto, Swift tem uma lista longa de namorados... Isso não vai contra a puridade sexual da mulher que eles tanto exigem???), Jane Austen é a nova vítima. Mas o porquê de Austen?

 

Ora, segundo estes iluminados, Austen é símbolo da puridade sexual, da tradição branca actualmente desaparecida e da inferioridade feminina. E eu a achar que Jane Austen criticou, através de ironia e sarcasmo, a sociedade conservadora em que viveu. Mas parece-me que estou errada. Eu e os milhares de admiradores, estudiosos e pessoas com mais de dois dedos de testa por este mundo fora.

 

Após a leitura de vários artigos e de ter tentado entender como raio esta gente chegou a esta conclusão, acredito, solenemente, que eles não leram os livros de Jane Austen. Ou até leram, mas não entendem sarcasmo. Sabiam que as pessoas sarcásticas são inteligentes  e criativas e que entender sarcasmo também é sinal de inteligência? Pois, está tudo dito, não está?

 

Estou à espera de uma manifestação das Janeites. Não é que seja devota de Jane Austen, mas dizerem que ela faz parte do Alt-Right mexe demasiado comigo. Santa ignorância...

 

 O esmurrado é Richard Spencer, um dos criadores do movimento Alt-Right

 

 

Alguns dos artigos que li:

Dias de Outubro

Finalmente é Outubro. Não creio que é o meu mês preferido por ser o mês do meu aniversário. É neste mês que as árvores já estão todas em tons de castanho e vermelho, em que se começa a vestir sweathers e gorros, e o chá quente torna-se mágico. Os casacos grossos e as botas saem do armário e as mantas regressam à cama.

 

Infelizmente, neste ano, Outubro começa quente e a exigir que se use t-shirts. Mas não me dou por vencida. Ao final do dia, munida de casaco grosso, gorro e chá, lá vou eu para a minha varanda ver o mini pôr-de-sol que consigo observar entre o telhado e a árvore do meu vizinho. E, durante as minhas caminhadas, já posso saltitar por cimas das folhas caídas e caminhar durante mais tempo pois o ar está mais fresco.

 

O tempo ainda está quente, mas já se nota o frio do Outono.

 

Bem-vindo Outubro

 

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P.S.: Ide votar, seus malandros!

Morning Pages

Conheci este conceito em Maio, mas foi apenas a partir de Julho que o comecei a aplicar diariamente (e admito que tenho falhado alguns dias). Morning pages são aproximadamente 3 páginas A4 (750 palavras), escritas ao acordar, de forma fluída (stream of consciousness). É, no fundo, escrever tudo o que vem à cabeça, sem criticismos,

nem correcções. É um modo de libertar a mente e enfrentar o dia que se avizinha com uma diferente perspectiva. Recomenda-se que se escreva à mão, uma vez que o computador e o telemóvel são ferramentas propícias à distracção. Este conceito foi introduzido por Julia Cameron, no seu livro The Artist's Way.

 

Nos primeiros tempos, apenas escrevia quando tinha cabeça. Não costumo ser funcional de manhã e tive que lutar um bom bocado para tornar isto um hábito. Passei vários dias em que ficava a olhar para as folhas e para a caneta e a sentir que eram objectos estranhos. Eventualmente, lá fui conseguindo convencer-me a escrever, nem que fosse apenas meia página, ou então encher uma página com frases do tipo "Não sei o que escrever" ou "Não me apetece fazer isto". Estamos no final de Setembro e há dias em que consigo escrever duas páginas, mas a tendência é escrever uma página. Escrevo um pouco de tudo: como dormi, como está o tempo, qual é o meu estado de espírito, o que tenho para fazer, o que gostaria de fazer, barulhos que oiço, etc. Tem sido um exercício mental excelente que me ajuda a ter forças e paciência para enfrentar o dia. Tenho tido uma maior claridade daquilo que quero fazer e tenho conseguido entender-me melhor. Juntamente com o meu diário, que escrevo à noite, estas páginas têm-me ajudado a manter um certo nível de sanidade que, muito provavelmente, teria perdido há muito tempo.

 

Tem ajudado, também, a criticar-me menos. Desde sempre que fui a pessoa que mais me criticava e as coisas pioraram consideravelmente desde que entrei na universidade. No entanto, nos últimos dois anos as coisas pioraram ainda mais, ao ponto de muitas vezes acabar por não fazer nada para evitar cometer erros e, consequentemente, as minhas críticas (o que não é muito inteligente, pois critico-me por ter feito ou por não ter feito. A minha mente é traiçoeira). Com as morning pages, consigo exprimir melhor os meus receios e compreender que muitos deles são ridículos. Comecei, também, a ter menos medo de errar e mais vontade de aproveitar a vida.

 

Não sei se conseguirei passar das duas páginas, mas escrever logo pela manhã passou a ser um hábito essencial, tal como o chá.

 

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 (imagem retirada daqui)

 

Links úteis:

Justiça para Manara

E quem é a Manara? É a escrava da família do irmão de Ali Babá. Sim, vou falar de uma personagem de um conto.

 

Passei a minha vida a ouvir falar do conto de Ali Babá e os Quarenta Ladrões, mas nunca me contaram exactamente a história, dando sempre a ideia de que Ali Babá é que seria o herói.

 

Pois, agora que li o conto, tenho a dizer que não estou satisfeita. A história em si é interessante, mas quem derrota os quarenta ladrões é Manara, não Ali Babá. A única coisa de o senhor Babá fez foi seguir os ladrões, encontrar a rocha onde eles escondiam o ouro e rouba-los. Não foi grande coisa, a meu ver. A Manara é que enganou os ladrões com giz, matou-os com azeite a ferver e mata o chefe enquanto dança. Engenhosa! Seria o tipo de pessoa que adoraria conhecer. Ela e a Xerazade. Mas qual é o nome que aparece no título? Pois é, o de Ali Babá. Que ficou vivo e com o dinheiro graças à Manara.

 

Para mim, é tempo de mudar o título do conto para Manara e os Quarenta Ladrões. Não gosto nada da ideia de ler sobre um homem a ficar com os louros do trabalho de uma mulher. Já me basta a vida real.

 

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Livros lidos #3: The Handmaid's Tale

Antes de mais, tenho que admitir que fui influenciada a comprar e a ler este livro devido à série televisiva. Comprei-o antes de a série começar, mas só o li durante as férias. E não, ainda não vi a série.

 

Foi um daqueles livros que devorei em dois dias e que passei os dias seguintes a pensar nele sem conseguir pegar noutro livro. A história passa-se num futuro distópico, na República de Gilead (ex-EUA). Um grupo fundamentalista cristão - os Filhos de Jacob - organizaram uma revolução e conseguiram suspender a constituição. Com isto, fizeram desaparecer os direitos das mulheres e, como o número de mulheres férteis era reduzido devido à poluição e doenças, criaram um grupo de trabalho (forçado) constituído por todas as mulheres férteis, cujo objectivo é gerar crianças para as famílias de classe privilegiada.

 

Esta história é contada do ponto de vista de Offred, desde o momento que inicia o seu terceiro trabalho, ou seja, desde que ela se muda para a casa da família para a qual ela terá de dar a criança que gerar com o homem da casa, o Comandante. Durante as primeiras páginas, é-nos possível conhecer um pouco do que é ser uma handmaid, os seus direitos e deveres, o que faz no dia-a-dia, proibições e o modo como elas interagem com o mundo. Ao longo do enredo, Offred conta ainda as pequenas memórias que tem do tempo antes da revolução, do marido e da filha que nunca mais viu e não sabe se estão vivos.

 

O livro foi publicado em 1986, altura em que Ronald Reagan declarava que a sociedade necessitava de retomar aos velhos costumes, a sociedade vivia assustada com o vírus VIH e os movimentos cristãos e de direita começavam a ganhar força, em resposta ao movimento Free Love (movimento que aceita todas as formas de amor, defendido pelos hippies). Passados 20 anos, podemos ver que as coisas, no fundo, não mudaram muito.

 

Devido à temática, achava que iria ser um livro agressivo. Porém, Atwood tem um dom de conseguir escrever de forma simples e profunda, sem chocar. Mas acredito que a série seja bem mais agressiva e arrepiante, até porque existe situações que são meramente mencionadas no livro e que numa série existe imenso espaço para as explorar. No entanto, foi um livro que me deixou inquieta devido à forma como as coisas são retratadas e à forma como a mulher é vista no livro. Esta visão, infelizmente, ainda existe na nossa sociedade: que a mulher deve-se tapar, que a mulher só serve para gerar crianças, que a mulher não tem direito a opinião, que se uma mulher é violada foi por culpa dela... Este "movimento" tem piorado nos últimos meses à custa da eleição do Trump e da propagação do movimento alt-right que não sabe interpretar textos e entender ironia (ainda hei-de escrever algo sobre isto porque, para mim, é hilariante).

 

Tenho meramente uma critica a fazer este livro: acaba num valente cliffhanger. Não sei o que acontece a Offred e preciso de saber.  Se alguém viu a série e sabe o que lhe acontece no final, podem dizer-me???

 

"Nolite te bastardes carborundorum. Don't let the bastards grind you down*"

 

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* Lema para a vida, criada como piada nas aulas de latim da infância de Atwood

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