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Tu tens a mania

Tu tens a mania

Baby it's cold outside

Tem estado tanto frio... As minhas mãos andam geladas, independentemente da quantidade de roupa que uso. Já tive de ir comprar meias de lã para andar por cima das meias normais. A minha capacidade de vestir em camadas tem melhorado consideravelmente. E comprei um mini-aquecedor para levar para o trabalho (aquece sítio é gelado..!).

 

Já começa a custar acordar. Mal tiro a cabeça de debaixo das mantas, tremo logo. O yoga e as morning pages começaram a ser substituídos por mais alguns minutos enfiada na cama. As caminhadas ao final do dia tornaram-se mais complicadas e os banhos incrivelmente quentes. Os serões são, agora, passados em frente da lareira a ler ou a ver séries e o regresso à cama acontece cada vez mais cedo.

 

Apanhar sol voltou a ser um prazer e uma necessidade. Os gorros e as luvas saíram do armário e os cachecóis aumentaram de tamanho. E o jazz voltou a ser uma companhia constante.

 

O frio está de volta e eu (acho) que estou preparada para ele.

 

 

 

Numb

Sempre achei que "não tenho tempo" era uma desculpa esfarrapada que as pessoas tinham. Sempre achei que todo o mundo tinha tempo para fazer o que quisesse e que não o fazia por falta de força de vontade e/ou capacidade de gestão/organização. Ao final de dois meses de trabalho, posso dizer que acabei por  provar que eu sempre tinha razão.

 

Não tenho feito nada daquilo que queria fazer durante os meus tempos-livres. Coloquei o exercício físico de lado, apenas escrevo ao fim-de-semana e sobre nada em concreto e sem lógica, mal tenho pegado em livros e visto filmes/séries. Todos os dias enfio-me na cama a dizer que o dia seguinte será melhor, mas, mal acordo, sei que o dia não será muito diferente do anterior. Tenho-me tornado num zombie, que faz as coisas de forma rotineira e que perdeu o prazer de as fazer. Ao longo das 8 horas de trabalho, sinto-me minimamente viva, muito à custa da necessidade de fazer as coisas o melhor possível e com urgência. Mas, assim que coloco os pés dentro de casa, o piloto automático aparece e, quando dou por mim, estou enfiada na cama e passei o tempo todo desde que cheguei a casa perdida nas redes sociais. Tenho uma lista enorme de artigos que gostaria de ler, mas não consigo convencer-me a ler-los. E passo os fins-de-semana a dormir ou a desejar que estivesse a dormir.

 

Acabei por me tornar na pessoa que passei anos a dizer que jamais me tornaria.

 

I feel numb

 

 

Mas as coisas começaram a mudar esta semana. Fui ao Coliseu ver um espectáculo de ballet. Comecei a acender uma vela assim que chego a casa e a ser mais meticulosa enquanto faço a minha cama. Voltei a pegar num livro e a ler com prazer. Rearranjei a minha estante e comprei mais livros. Voltei a pintar as unhas e voltei a dançar como se ninguém estivesse a ver. Até já dei por mim a cantarolar.

 

É através de pequenos passos que uma pessoa consegue readquirir o controlo da sua vida. E eu, finalmente, comecei a dar esses pequenos passos.

 

 

 

Coisas do tempo

Não gosto da mudança da hora. Sim, sabe bem poder dormir mais uma hora no Outono, mas é extremamente horrível dormir menos uma hora na Primavera. Porém, não é isto o que mais me incomoda...

 

Odeio olhar lá para fora, ver que já é noite e pensar "está na hora de preparar o jantar" e, quando dou por isso, ainda são 18 horas. É ridículo e só me dá vontade de me enfiar na cama e esquecer o mundo, porque, apesar de ainda ser cedo, para mim parece tarde e começo logo a pensar que ainda tenho muita coisa para fazer e que não vou ter tempo (o que, na realidade, tenho, porque AINDA SÃO 18 HORAS!!!). E nem vou falar no facto de que estava habituada sair de casa ainda de noite e, de um dia para o outro, já tenho que enfrentar o sol logo pela manhã.

 

Para mim, esta mudança da hora tem-se tornado um motivo de stress desnecessário. Onde é que podemos votar para que isto acabe?

 

 

Obrigada Google!

Sempre admirei os doodles da Google. Para além do teor informativo que está por detrás deles, a forma como a Google apresenta as coisas, principalmente as maiores festividades, deixam-me sempre com um sorriso.E o doodle de Halloween deste ano não é excepção. 

 

Este ano, o doodle apresenta-nos Jinx, um fantasma solitário que tenta encontrar o disfarce perfeito e um lugar no mundo. De um modo cómico, a Google conseguiu tocar num assunto importante: a inclusão e acepção do que nos é diferente. Através de algo simples e acessível, quer para crianças, quer para adultos, a Google diz muito e faz-nos pensar nos nossos actos. Gostamos de dizer que vivemos numa sociedade tolerante e que aceitamos as diferenças dos outros, mas basta olhar para as notícias e para os comentários nas redes sociais para entender que estamos muito longe de sermos tolerantes. E isso precisa de mudar urgentemente.

 

É um doodle que nos deixa com um sorriso nos lábios e uma lágrima no canto do olho.

 

 

 

 

 

Happy Halloween 

 

P.S.: Já agora, fui a única que teve morceguinhos na página de gestão do blog?

Ânsia de ler

Uma das desvantagens de se estar desempregada é que se tem muito tempo livre. Tanto tempo que uma pessoa começa a perder-se e a perder  motivação de fazer o que mais se gosta. Inevitavelmente, essa pessoa começa a sentir-se indiferente em relação aos seus hobbies e paixões, começa a sentir que estes já não lhe desperta interesse e que, em vez de a tornar feliz e relaxada, a deixa triste e desesperada.

A desvantagem de se estar empregada é a falta de tempo livre e, consequentemente, o aumento da ânsia de fazer o que mais a faz feliz.

No meu caso, são os livros. Enquanto desempregada, custava-me pegar num livro e ler. Houve, inclusive, dias em que pensar em livros me deixava ansiosa e frustrada. Agora que me encontro empregada, não perco uma oportunidade de estar com a cabeça enfiada num livro. Seja ao pequeno-almoço, nos 5 minutos antes de ter de entrar ao serviço, enquanto cozinho, etc, tenho sempre um livro por perto e dou por mim com dificuldade em pousa-lo.

Enquanto desempregada, conseguia ler um livro por semana com muito esforço. Agora, continuo a ler um livro por semana, mas leio com prazer e motivação. E eu tinha tantas saudades disso.

 

 

Ausência

Há duas semanas que não escrevo por aqui. Há três semanas que comecei a trabalhar. Os dois factos estão um pouco interligados, mas não é o cansaço que os une. É a falta de paciência de me sentar em frente de um computador. Desde que comecei a trabalhar que ligo cada vez menos o computador. Passei, até, alguns dias em que nem me aproximei dele. Não tenho tido vontade de ver a vida dos outros, quer no blog, quer nas redes sociais. Não deixei de escrever e as páginas cheias de palavras e ideias que enchem a minha capa podem comprovar isso. Mas a perspectiva de me sentar e de as tentar passar para o computador aterrorizava-me. Deixei, também, de ver filmes e séries. E eu tinha tanto que queria ver...

Porém, durante esta semana, comecei a recuperar a minha vontade de partilhar o que penso. E só hoje é que consegui convencer-me a fazê-lo. Quero tentar dar pequenos passos ao longo da próxima semana, evitando sobrecarregar-me, escrevendo aqui e ali, partilhando opiniões e disparates e ver o que se tem escrito por aqueles que sigo.

Poderia dizer que a culpa é do emprego novo, mas creio que a culpa é da minha versão de autumn blues (estou absolutamente farta do calor, QUERO CHUVA!!!!)

 

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Livros lidos #4: Wishful Drinking

Sou fã de Carrie Fisher desde o dia que a vi em Star Wars. Com o passar dos tempos e o aparecimento das redes sociais, Carrie Fisher tornou-se numa das minhas personalidades favoritas. Mas, estupidamente, nunca tinha lido um livro dela. Há uns meses atrás, "tropecei" numa promoção e acabei por comprar o meu primeiro livro de Fisher, Wishful Drinking, que foi o seu primeiro livro de não-ficção. Nest livro, ela conta como foi crescer com Debbie Reynolds como mãe e Eddie Fisher como pai, como foi a sua relação com os casamentos destes, a sua relação com Paul Simon e Bryan Lourd (pai da sua filha Billie Lourd), e a sua relação com o álcool, as drogas e a bipolaridade.

 

É um livro recheado de piadas, trocadilhos e sarcasmo, muito sarcasmo. Demorei menos de 24 horas a ler este livro, por tão viciante que era a escrita. Fisher fala da sua vida com tal leveza, que leva uma pessoa a pensar que, de facto, devíamos levar a vida com menos seriedade e mais humor.

 

A escrita de Carrie Fisher tornou-se o mais recente motivo para a adorar e já tenho em mente o próximo livro dela que irei adquirir: Shockaholic.

 

 

"Resentment is like drinking a poison and waiting for the other person to die"

 

"If my life wasn't funny, it would just be true, and that is unacceptable"

 

"You know how they say that religion is the opiate of the masses? Well, I took masses of opiates religiously"

 

 

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Jane Austen é do alt-right?

De acordo com os meninos do Alt-Right, sim. Por exemplo, o menino Milo Yannopoulos diz:

 

"As a Victorian novelist might have put it: 'It is a truth universally acknowledged that an ugly woman is far more likely to be a feminist than a hot one'"

 

Ao qual eu respondo: Jane Austen é uma escritora da era Georgiana, dumbass, e existe muita mulher bonita que é feminista, mas, como jamais terias hipóteses com elas, preferes dizer que são feias. Continua assim que continuarás solteiro. E tenho a dizer que são os homens feios que se viram para o Alt-Right.

 

Depois de estragarem a vida ao criador do Pepe the Frog, que continua a lutar pelo seu sapinho, e de dizerem que Taylor Swift é uma deusa ariana, "que prefere ficar em casa a ler Jane Austen e brincar com um gato, do que sair e ter gang-bangs com homens de cor, como a Miley Cyrus" (No entanto, Swift tem uma lista longa de namorados... Isso não vai contra a puridade sexual da mulher que eles tanto exigem???), Jane Austen é a nova vítima. Mas o porquê de Austen?

 

Ora, segundo estes iluminados, Austen é símbolo da puridade sexual, da tradição branca actualmente desaparecida e da inferioridade feminina. E eu a achar que Jane Austen criticou, através de ironia e sarcasmo, a sociedade conservadora em que viveu. Mas parece-me que estou errada. Eu e os milhares de admiradores, estudiosos e pessoas com mais de dois dedos de testa por este mundo fora.

 

Após a leitura de vários artigos e de ter tentado entender como raio esta gente chegou a esta conclusão, acredito, solenemente, que eles não leram os livros de Jane Austen. Ou até leram, mas não entendem sarcasmo. Sabiam que as pessoas sarcásticas são inteligentes  e criativas e que entender sarcasmo também é sinal de inteligência? Pois, está tudo dito, não está?

 

Estou à espera de uma manifestação das Janeites. Não é que seja devota de Jane Austen, mas dizerem que ela faz parte do Alt-Right mexe demasiado comigo. Santa ignorância...

 

 O esmurrado é Richard Spencer, um dos criadores do movimento Alt-Right

 

 

Alguns dos artigos que li:

Dias de Outubro

Finalmente é Outubro. Não creio que é o meu mês preferido por ser o mês do meu aniversário. É neste mês que as árvores já estão todas em tons de castanho e vermelho, em que se começa a vestir sweathers e gorros, e o chá quente torna-se mágico. Os casacos grossos e as botas saem do armário e as mantas regressam à cama.

 

Infelizmente, neste ano, Outubro começa quente e a exigir que se use t-shirts. Mas não me dou por vencida. Ao final do dia, munida de casaco grosso, gorro e chá, lá vou eu para a minha varanda ver o mini pôr-de-sol que consigo observar entre o telhado e a árvore do meu vizinho. E, durante as minhas caminhadas, já posso saltitar por cimas das folhas caídas e caminhar durante mais tempo pois o ar está mais fresco.

 

O tempo ainda está quente, mas já se nota o frio do Outono.

 

Bem-vindo Outubro

 

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P.S.: Ide votar, seus malandros!

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